Flávio Bolsonaro e o risco das milícias no Palácio do Planalto

Flávio Bolsonaro e o risco das milícias no Palácio do Planalto

Até o Estadão está advertindo o país sobre Flávio Bolsonaro. Um dos principais jornais da imprensa conservadora, crítico habitual de Lula e do PT, publicou editoriais que questionam a condição moral do candidato da extrema direita, censuram sua atuação nos Estados Unidos e alertam para os riscos de seus vínculos com milicianos. A poucos dias da votação de 4 de outubro, vale ler esses textos em conjunto.

O peso político dessas críticas está também em sua origem. Elas são formuladas dentro do próprio campo conservador, por um jornal que está longe de apoiar Lula. O Estadão põe diante da direita e seus apoiadores uma pergunta incômoda: até onde a disposição de derrotar o presidente pode justificar a entrega do país a Flávio Bolsonaro?

Em 9 de julho, o editorial “Flávio Bolsonaro desserve o Brasil” tratou de outra face do candidato. Segundo o jornal, Flávio transformou em palanque uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, destinada a receber argumentos técnicos contra tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

O Estadão censurou o uso daquela oportunidade para atacar Lula e sugerir que Washington aguardasse a eleição para negociar com um novo presidente, mais alinhado a Donald Trump. O interesse eleitoral do senador se sobrepunha, na avaliação do jornal, à defesa dos exportadores brasileiros. A candidatura já aparecia como um problema para o país antes mesmo de chegar ao governo.

A crítica alcança uma questão elementar: quem pretende presidir o Brasil deve defender os interesses brasileiros. Exportadores, trabalhadores e empresas não podem ter suas necessidades subordinadas ao calendário de uma candidatura. Ao buscar a preferência de Washington, Flávio oferecia ao eleitor mais uma razão para perguntar a quem serviria seu eventual governo.

Flávio e o “irmão” Vorcaro: falta de estatura moral

Em 16 de maio, no editorial “A direita diante de seu veneno”, o jornal avaliou que a revelação do pedido de R$ 130 milhões de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro expunha a falta de estatura moral e política do senador para liderar a candidatura presidencial da direita. A advertência alcançava todo o campo conservador: era preciso afastar-se dos escândalos e dos métodos do bolsonarismo.

“Já passou da hora de romper a subordinação aos métodos do clã Bolsonaro”, escreveu o Estadão. A cobrança atingia também os dirigentes que, em troca dos votos associados ao sobrenome, aceitavam carregar os seus passivos. Um patrimônio eleitoral não elimina a responsabilidade de examinar quem pretende governar o país.

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