Coluna da Angélica: o maior crime do Jair

Coluna da Angélica: o maior crime do Jair

Para muitos, dentre os crimes que Jair Bolsonaro e sua turma cometeram, o mais grave foi a tentativa de golpe de Estado para implantar uma ditadura no Brasil. Porque isso afetaria os mais de 214 milhões de brasileiros. Afinal para a família Bolsonaro, o Brasil é apenas um território a ser explorado. Como se fosse uma imensa Serra Pelada e eles, os garimpeiros.  Mas também são citados, o machismo, a misoginia, o entreguismo em troca de dinheiro, a defesa de torturadores, a proximidade com milicianos…tanta coisa que com exagero e tudo daria três voltas ao redor do planeta.
Porém, na minha opinião nada se compara com a política adotada pelo governo Jair Bolsonaro (PL), durante a pandemia de Covid-19.
Nada.
Agora se sabe que os óbitos por covid  atingiram mais de dois milhões de brasileiros. Este número foi mencionado pela médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo, uma das especialistas mais respeitadas do país, durante um ciclo de debates sobre Cinema e Direitos Humanos no Rio de Janeiro.
Aqueles 720 mil mortos, que já era uma cifra alta, foi massificada segundo a médica, em função da subnotificação. A realidade foi três vezes pior. A título de comparação, podemos citar a guerra do Vietnã que em 8 anos matou 58 mil soldados dos EUA. No Brasil, em dois anos de covid, morreram mais de dois milhões de pessoas, enquanto Jair Bolsonaro minimizava os efeitos da doença. Em resumo, a covid matou em dois anos o equivalente a mais de 34 vezes o número de estadunidenses mortos na guerra do Vietnã em 8 anos.
Quase todo mundo sofreu com a morte de algum parente ou amigo que poderia estar vivo se as vacinas tivessem sido compradas com a rapidez que o caso exigia, mas Jair Bolsonaro brincava de Deus e de médico, incentivando o uso de medicamentos sem eficácia comprovada e ridicularizava pessoas com falta de ar.  Lembra disso?

Eu não esqueço.

A raiva aumenta quando recordo que o incentivo ao uso da Ivermectina e Cloroquina promoveu lucros milionários à EMS, empresa de genéricos de propriedade de Emiliano Sanchez e seu filho Carlos Sanchez (conhecido como “rei dos genéricos”), apoiadores de Jair Bolsonaro que além de recomendar o uso, conseguiu na Índia, os insumos necessários à fabricação do Kit Covid pela empresa dos amigos.

Com isso, a EMS faturou R$ 142 milhões só com a venda desse kit recomendado pelo então presidente da República,  como tratamento precoce. Ou seja, a recomendação dos medicamentos sem eficácia não foi um mero caso de ignorância. Foi intencional. Para garantir lucros à empresa do parceiro e quem sabe ganhar junto alguns milhõezinhos. Ah! Antes que eu esqueça, a  EMS foi a empresa que vendeu viagra para o exército.

Todas essas informações constam nos registros da CPI da Covid que pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por crimes contra a saúde pública durante a pandemia.

E aí veio o esquema das vacinas.

Os brasileiros morriam como moscas enquanto o governo Jair Bolsonaro atrasava a compra das vacinas na tentativa de ganhar dinheiro com uma propina de U$ 1, por dose de vacina. O que são dois milhões de mortos frente a possibilidade de lucrar mais de 214 milhões de dólares, por baixo, ou 642 milhões de dólares no caso das três doses necessárias para imunizar cada brasileiro? Quem sabe mais ainda…no meio de tantos milhões a gente se perde…só sei que a AstraZeneca que inicialmente recebeu a proposta de U$ 3,5 por dose, sairia depois por U$ 15,5. E a garantia era da compra inicial de 400 milhões de doses.

Houve também um esquema ilegal em torno da Covaxin.
Quando a Organização Mundial de Saúde lançou o consórcio Covax Facility, o governo Bolsonaro optou pela compra da cota mínima de doses- o suficiente para imunizar apenas 10% da população.
Para ficar bem claro, façamos uma lista:
  • CoronaVac – O Ministério da Saúde chegou a anunciar a compra de 46 milhões de doses, mas voltou atrás após Bolsonaro mandar cancelar o negócio. O contrato foi assinado três meses depois. Em paralelo, veio à tona que Pazuello negociou a Coronavac com uma empresa intermediária por um valor quase o triplo do pago ao Butantan.
  • Pfizer – Ofertas de vacina ficaram meses sem resposta do governo, que considerava o contrato abusivo.
  • Covax Facility – O Brasil optou pela cota mínima de 10% de doses no consórcio internacional liderado pela Organização Mundial de Saúde.
  • AstraZeneca – Atritos do governo brasileiro com a China causaram atraso no recebimento de insumos para a fabricação da vacina pela Fiocruz. A CPI da Covid investigou negociação paralela com o Ministério da Saúde em que teria havido um pedido de propina.
  • Sputnik – O governo assinou contrato depois que governos estaduais fizeram compras separadas.
  • Covaxin – A negociação até a assinatura do contrato foi mais rápida em comparação a outras vacinas. Servidor do Ministério da Saúde relata ter sofrido pressão para aprovar a importação e ter contado a Bolsonaro sobre as irregularidades.
  • CanSino – Foi assinada uma intenção de compra prevendo US$ 17 por dose. Negócio foi intermediado por uma empresa investigada e não avançou.

Entre as negociações o tempo ia passando.

Quando o Brasil já contabilizava 5 mil mortos pela doença, Jair Bolsonaro ao ser questionado, respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, e continuou a criticar as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades sanitárias do mundo.

E o país passou a registrar mortes em filas de espera por leitos e racionamentos de oxigênio. Manaus, por exemplo, viveu cenas de filme de terror, o sistema de saúde colapsou porque o Brasil não tomou medidas para enfrentar a pandemia e não havia oxigênio. Foi preciso o presidente Nicolás Maduro da Venezuela enviar 136 mil metros cúbicos para aliviar o sistema hospitalar amazonense.

Enquanto isso, o à época presidente Jair Bolsonaro respondia com a grosseria que lhe é peculiar: “E daí? Não sou coveiro”, falando sobre as mortes por covid.

Relembre

 

No meio daqueles mais de dois milhões que morreram na pandemia tem rostos se sobrepondo às estatísticas e no meu caso, serão sempre lembrados pelos nomes: Nilson Müller; Silvestre Prado, Vovó Zefinha, Guino, Sérgio…

Motivos para não votar em candidato que se identifique com essa escória, não faltam.

Portanto, faça-nos um favor- liste e respeite os seus mortos.

Coluna de opinião

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