Quando viram o perigo da extrema direita assumir o poder os meninos mostraram que são adultos. Talvez mais do que muitos de 50 anos. E foram as ruas. A partida foi dada em Niterói com estudantes da Universidade Federal Fluminense. O resto do Brasil foi atrás e já estão previstas manifestações em 12 estados, talvez mais.
Tudo começou após o resultado do primeiro turno das eleições que mostrou o extremista Flávio Bolsonaro (PL) com mais votos que Lula (PT). Resultado que causou surpresa em todas as faixas etárias.
E incredulidade: como uma criatura com um histórico de ligação com milícias, envolvido em zilhões de escândalos de corrupção, defensor de torturador e sem nada para mostrar do que fez em mais de 20 anos de vida pública poderia se igualar a Lula e pior, superar?
Ninguém imaginou que haveria no Brasil tanta gente iludida. Mas tem. E agora sabemos.
Ágil, a garotada reagiu de imediato, e enquanto nossos cérebros atordoados buscavam explicações os jovens começaram a agir. E não por Lula, porque Lula não precisa de apoio. É o povo quem precisa e Lula é quem pode ajudar. Simples assim.
A juventude sacou que não é Lula quem está sob ameaça, é o povo que vai perder: Pé de Meia; BPC; Minha Casa, Minha Vida; Salário Mínimo e os outros Salários além de Aposentadorias sem reposição da inflação, o que leva ao arrocho; Fim da Educação Pública- da Creche à Universidade; Fim do SUS; Fim da Farmácia Popular; a substituição do Fim da Escala 6×1 pela remuneração por horas trabalhadas/precarização; Fim do PIX, como temos…Fim da gente como Povo… sem direitos… sem garantias… sem esperança.
Flávio já anunciou o Cardápio de Cortes.
O Fim de Tudo, tá embutido no corte de R$ 190 bilhões no orçamento da União em 2027.
Aliás, ele se lixa para o Congresso, vai governar através de Medidas Provisórias. Duvida? Ele mesmo anunciou que editará mil (1000) Medidas Provisórias no primeiro dia de governo.
Flávio Bolsonaro e seus extremistas querem a volta ao passado, a 1964 mas, os jovens querem a volta para o futuro, lá onde mora a esperança.
E o futuro que o bolsonarinho apresenta é opaco e caótico. Se com os direitos assegurados na Constituição já é difícil obtê-los na prática, imagine sem o respaldo da lei. E Flávio Bolsonaro já anunciou que pretende mudar a Constituição.
Mas a resistência mostrou que não quer herdar calada o resultado dos nossos erros e vacilos. Ela está disposta a incomodar as certezas dos ultraliberais.
Afinal, a juventude deve ser revolucionária, porque ela tem a obrigação de transformar o mundo- como dizia o eterno revolucionário Che.
Foram os jovens que participaram das manifestações estudantis, das barricadas de Maio de 1968, das passeatas contra as ditaduras, que ocuparam as universidades, escreveram panfletos, organizaram movimentos e disseram em diferentes épocas que o mundo não precisava continuar sendo como era.
São eles que agora tomam a iniciativa. E a nós resta apoiar, aplaudir e participar. Só unindo a experiência dos cabeças brancas (nada a ver com o MDB, risos) com a disposição e entendimento da garotada teremos sucesso. Coisa que o filme argentino “Argentina, 1985”, mostra muito bem: para obter as provas para conseguir que o tribunal civil punisse a junta militar que impôs um regime de terror, o promotor do caso contratou um bando de jovens considerados inexperientes. Ganharam a ação.
Bom dia, garotada que nos traz um alento.
Coluna de opinião
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