Quem é Santini, ex-sócio que diz poder colocar Flávio Bolsonaro na cadeia

Quem é Santini, ex-sócio que diz poder colocar Flávio Bolsonaro na cadeia

O empresário paulista Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirma ter reunido ao longo de quase duas décadas mensagens, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias relacionados ao senador e candidato à Presidência. O material passou a ser mencionado pelo empresário depois do rompimento entre os dois, provocado por uma disputa financeira envolvendo uma antiga sociedade comercial. As informações são do PlatôBR.

Santini conheceu Flávio no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por intermédio de amigos em comum. Na época, mantinha uma empresa de importação e exportação em sociedade com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira. A relação com o atual senador se tornou próxima, e o empresário passou a frequentar eventos privados da família Bolsonaro, além de participar de viagens e festas, incluindo encontros na casa do jogador Neymar e réveillons em Angra dos Reis.

A amizade se transformou em sociedade comercial. Quando ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio convidou Santini para participar da Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen que funcionava no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. Santini ficou responsável pela administração cotidiana e pelo caixa do estabelecimento.

A loja apareceu posteriormente nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os investigadores apuraram a suspeita de que o estabelecimento pudesse ter sido utilizado para lavar recursos provenientes do recolhimento de parte dos salários de assessores. Na investigação, promotores classificaram o ex-sócio de Flávio como um “laranja de luxo”.

O empresário também acompanhou episódios envolvendo pessoas próximas à família Bolsonaro. Em 2018, viajou de carro para Juiz de Fora (MG) ao lado de Fabrício Queiroz. Posteriormente, mudou-se para Brasília, onde passou a morar próximo ao Lago Paranoá e abriu a Santitech Suporte em Tecnologia da Informação. A empresa permaneceu ativa durante dez meses e tinha como endereço registrado um lote sem construção na Asa Sul.

A relação entre os dois se rompeu durante o período eleitoral de 2022, após divergências sobre as contas da antiga loja de chocolates. Santini afirma ter acumulado prejuízos e passou a cobrar do senador um acerto de aproximadamente R$ 1,4 milhão, envolvendo distribuição de lucros, aportes feitos no início da sociedade e despesas que diz ter pago sem ressarcimento.

Santini relata que apresentou pessoalmente uma planilha com os valores durante uma reunião no gabinete de Flávio no Congresso Nacional. Segundo o empresário, disse ao senador: “Eu falei: olha, Flávio, está aqui a planilha que você me deve. Sempre trazendo para o valor presente… Todo o valor, sem ser ajustado, aqui você me deve 1,7 milhão. Tá aqui, olha. Ele sabe que é isso. Ele olhou e falou: ‘Tá bom’. ‘Eu falei: Tá, quando você pode pagar?’ ‘Agora eu não posso.’ ‘Tá bom.’ ‘Quando você vai me pagar?’ ‘Pensando bem, eu não vou te pagar, porque eu não te devo nada. Se quiser, procura a Justiça e você vai perder porque eu tenho poder’”.

Ainda de acordo com o relato, Flávio teria acrescentado durante a discussão: “Olha quem você é e olha quem eu sou… Você vai perder tempo e dinheiro. Você vai se f”.

Após o rompimento, o empresário enviou notificações extrajudiciais e apresentou uma reclamação pré-processual à Justiça de Brasília. Santini afirma que o investimento inicial na loja foi de R$ 1 milhão. Segundo seus documentos, ele aportou R$ 450 mil, Flávio contribuiu com R$ 200 mil em dinheiro e Fernanda Bolsonaro transferiu R$ 350 mil por meio bancário.

O ex-sócio também sustenta que houve diferença na distribuição dos resultados da empresa. Segundo suas contas, apesar de ambos terem participação igualitária na sociedade, Flávio recebeu R$ 1,7 milhão em lucros, dos quais R$ 700 mil teriam sido pagos em dinheiro vivo, enquanto o empresário afirma ter recebido R$ 644 mil.

Depois da deterioração da relação, Santini passou a preservar documentos e registros produzidos durante os anos em que conviveu com o senador. O acervo, segundo relatos atribuídos ao empresário, inclui mensagens de texto, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias. Há ainda registros que tratam do pagamento de despesas pessoais de Flávio por terceiros, operações imobiliárias com dinheiro em espécie, conversas com Fabrício Queiroz envolvendo pedidos de auxílio financeiro e imagens de relógios de luxo atribuídos ao senador.

Santini também afirma possuir fotografias de mulheres, mensagens relacionadas à organização de encontros privados e outros registros sobre festas das quais Flávio teria participado. Segundo o relato, informações sobre esses episódios chegaram a Fernanda Bolsonaro e provocaram uma crise pessoal entre o casal, posteriormente superada.

A pessoas próximas, o empresário afirmou sobre o material que mantém guardado: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que eu tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”.

Flávio, por sua vez, já rejeitou as acusações do antigo parceiro. Ao comentar em 2023 os recados enviados por Santini, afirmou: “Ele tem mandado uns recados esquisitos para mim. Já me pediu dinheiro e eu não dei. Não quero dar linha para maluco. É um ex-sócio e ex-amigo”. O senador também classificou as acusações feitas pelo empresário como “infundadas”.

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