O caminho do autoritarismo: Flávio diz que “El Salvador é pouco” e recorre a Derrite para endurecer segurança

O caminho do autoritarismo: Flávio diz que “El Salvador é pouco” e recorre a Derrite para endurecer segurança

Modelo Bukele

Nayib Bukele instaurou um Estado de exceção e implantou um controverso plano de combate ao crime organizado em que as pessoas vão para a cadeia sem ordem judicial. Em nome do combate contra as quadrilhas multiplica violações dos direitos. Um relatório da ONU acusa Bukele de crimes contra a humanidade.

O governo Bukele é acusado de corrupção, acordos com o crime organizado para sustentar índices baixos de violência, contratos governamentais milionários com empresas de narcotraficantes, censura, perseguição a jornalistas e opositores, golpe na Suprema Corte para obter maioria, violações da constituição, supressão de direitos, prisões em massa sem o devido processo legal e nepotismo. O completo desmantelamento de toda a institucionalidade do país.

Imitação de Flávio Bolsonaro

Mas é o modelo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Ele afirmou nesta terça-feira (13), em São Paulo, que considera “El Salvador pouco” diante das medidas de segurança pública que pretende adotar caso seja eleito. Durante um encontro com entidades comerciais, prometeu criar mais de 500 mil vagas em presídios, aplicar castração química e aumentar penas.

“E aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública, vocês não viram nada ainda”, declarou. Flávio Bolsonaro citou conversas com Guilherme Derrite (PP), senador eleito por São Paulo e ex-secretário estadual de Segurança Pública, ao apresentar suas propostas para a área.

A promessa de expansão do sistema prisional veio acompanhada da defesa de castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. Flávio Bolsonaro também afirmou que essas pessoas permaneceriam presas por mais tempo, sem especificar, no trecho do discurso, quais seriam as novas penas.

Para ladrões de celular, o candidato prometeu uma alteração legislativa: “Ladrão de celular, a gente vai mudar a lei no Congresso, vai ser no mínimo oito anos de cadeia”. Na sequência, disse que o preso seria obrigado a trabalhar “para dar valor a como é difícil comprar um celular”. Observe se essa bravata não vem acompanhada da privatização dos presídios, que faria dos presos mão de obra escrava de empresas.

A obrigação de trabalhar já está prevista na Lei de Execução Penal. O artigo 31 determina que condenados a penas de prisão trabalhem conforme suas aptidões e capacidade. A mesma disposição estabelece que o trabalho não é obrigatório para presos provisórios.

Flávio Bolsonaro já havia defendido a castração química em um evento no Rio de Janeiro, em agosto. Na ocasião, durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo estadual, afirmou que pretendia aprovar a medida para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. O vice dele é acusado de estupro de criança.

Guilherme Derrite

Guilherme Derrite, que vai ajudar no endurecimento da segurança foi expulso da ROTA por excesso de pessoas mortas. “A real? Porque eu matei muito ladrão”, disse ele.

 

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