Pilantragem: WhatsApp sugere canal de Flávio Bolsonaro em buscas por “Exército do Lula”

Pilantragem: WhatsApp sugere canal de Flávio Bolsonaro em buscas por “Exército do Lula”

Sugestão de canais no aplicativo Whatsapp. Foto: Reprodução/Congresso em Foco

O WhatsApp sugeriu o canal “Tropa do Flávio”, voltado a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), para usuários que pesquisaram por “Exército do Lula”, canal administrado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). A recomendação surgiu ao lado de páginas ligadas ao presidente Lula (PT) e ao Partido dos Trabalhadores.

O resultado foi registrado em uma captura de tela confirmada pelo Congresso em Foco. Na busca inversa, por “Tropa do Flávio”, não apareceram canais relacionados a Lula, ao PT ou aos perfis oficiais do presidente e do partido.

As recomendações não são necessariamente iguais para todos os usuários. O WhatsApp considera fatores como histórico de pesquisas e interações, características da conta, localização geral, idioma, número de seguidores, frequência de publicações, reações e semelhança entre os conteúdos dos canais.

A sugestão ocorreu enquanto o “Exército do Lula” aguardava autorização para voltar a publicar. O canal entrou em disputa no Tribunal Superior Eleitoral após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que questionou mensagens distribuídas pela ferramenta.

Disputa no TSE levou à suspensão temporária do canal

Pilantragem: WhatsApp sugere canal de Flávio Bolsonaro em buscas por “Exército do Lula”
Canal “Exército do Lula” após suspensão. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em 7 de outubro, a campanha de Flávio pediu ao TSE a suspensão do “Exército do Lula”, sob a alegação de que o canal divulgava conteúdos que a Justiça Eleitoral já havia classificado como falsos. Três dias depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu provas aos autores da ação e manifestação da campanha de Lula.

No mesmo dia 10, a equipe de Flávio apresentou um novo pedido diretamente à presidência do tribunal, alegando descumprimento de um acordo entre a Meta e a Justiça Eleitoral. O caso chegou ao ministro Nunes Marques, presidente do TSE, que determinou a suspensão do canal em 11 de outubro.

Villas Bôas Cueva restabeleceu o canal no mesmo dia e defendeu que o plenário analisasse a divergência. Em 12 de outubro, Nunes Marques requisitou uma avaliação técnica das mensagens; a área responsável não identificou informações falsas no material examinado. A campanha de Flávio contestou a conclusão e afirmou que conteúdos poderiam ter sido apagados antes da fiscalização.

Em 13 de outubro, Nunes Marques suspendeu novamente o canal até a regularização do registro eleitoral. A campanha de Lula registrou o endereço no TSE, mas afirmou que a medida não representava assumir a administração da ferramenta, atribuída a Janones. O ministro reconheceu o registro e autorizou a retomada das atividades após o prazo de 48 horas previsto na regulamentação eleitoral.

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