A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgaram, nesta segunda-feira (28), notas de solidariedade à jornalista Maria Cristina Fernandes após a repercussão de uma análise sua sobre manifestações de setores da Igreja Católica relacionadas ao cenário político e eleitoral brasileiro.
As entidades repudiaram os ataques direcionados à jornalista nas redes sociais e defenderam que críticas ao trabalho jornalístico devem ocorrer por meio do debate público, da apresentação de informações e do direito de resposta, e não por meio de tentativas de descredibilização profissional.
A polêmica teve início após Maria Cristina Fernandes comentar a existência de preocupações, entre setores da Igreja Católica, relacionadas a um debate envolvendo grupos evangélicos que defendem mudanças na forma como Nossa Senhora Aparecida é tratada como padroeira do Brasil. A repercussão do tema acabou sendo associada nas redes sociais ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que se declara evangélico e mantém proximidade notória com tais grupos que querem “rebaixar” a santa católica.
Entidades apontam ataques digitais e defesa da liberdade de imprensa
Na nota divulgada pela Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ, a entidade afirmou que Maria Cristina Fernandes passou a ser alvo de ataques e acusações de disseminação de “fake news” após publicar análise sobre manifestações de setores da Igreja Católica relacionadas ao cenário político brasileiro.
“A FENAJ reafirma que o exercício do Jornalismo pressupõe liberdade para informar, analisar e interpretar fatos de interesse público, sempre sob os princípios da responsabilidade profissional e da apuração”, afirmou a entidade.
A federação também destacou a necessidade de combater a violência e o assédio contra mulheres jornalistas, especialmente no ambiente digital.
A Abraji, por sua vez, afirmou que se solidariza com Maria Cristina Fernandes e classificou como inadmissíveis tentativas de intimidação, constrangimento ou descredibilização de jornalistas em razão do exercício profissional.
Segundo a associação, a jornalista possui décadas de atuação na cobertura política brasileira e produz análises baseadas em apurações e fatos de interesse público.
Polêmica envolve debate sobre Nossa Senhora Aparecida e eleição de 2026
A controvérsia ganhou força após circularem nas redes sociais conteúdos que relacionavam Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.
O senador negou a informação e afirmou que não existe projeto nesse sentido. A campanha de Flávio Bolsonaro também contestou as publicações que faziam essa associação.
O episódio resgatou a discussão sobre um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, que propunha alteração na referência oficial à padroeira do Brasil. A proposta acabou arquivada em 2008.
A repercussão transformou um debate religioso em uma disputa política durante a campanha eleitoral, com acusações de disseminação de desinformação e questionamentos sobre os limites entre crítica, opinião e ataques pessoais contra jornalistas.
Liberdade de imprensa no centro do debate
Para as entidades de defesa do jornalismo, o caso reforça uma preocupação recorrente: o uso de ataques digitais como forma de pressionar profissionais de imprensa diante de reportagens e análises que geram repercussão política.
A FENAJ destacou que divergências sobre conteúdos jornalísticos devem ser resolvidas pelo confronto de argumentos e pela apresentação de fatos, preservando o direito de informar e o papel da imprensa em uma sociedade democrática.
A Abraji também ressaltou que críticas fazem parte do debate público, mas que não devem se transformar em campanhas de intimidação contra jornalistas. Com informações da Fórum
Leia a íntegra das notas das entidades
FENAJ
A Comissão de Mulheres Jornalistas da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifesta solidariedade à jornalista Maria Cristina Fernandes, que vem sendo alvo de ataques e acusações de disseminação de “fake news” após a publicação de análise sobre manifestações de setores da Igreja Católica relacionadas ao cenário político e eleitoral brasileiro.
A FENAJ reafirma que o exercício do Jornalismo pressupõe liberdade para informar, analisar e interpretar fatos de interesse público, sempre sob os princípios da responsabilidade profissional e da apuração.
Eventuais contestações a informações jornalísticas devem ocorrer por meio do debate público, da apresentação de fatos e do direito de resposta, e não por meio de ataques pessoais, intimidação ou tentativas de descredibilização profissional.
A Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ reforça, ainda, a necessidade de combater a violência e o assédio dirigidos às mulheres jornalistas, especialmente no ambiente digital.
Liberdade de imprensa e respeito ao exercício profissional são pilares indispensáveis à democracia.
Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ
Abraji
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se solidariza com a jornalista Maria Cristina Fernandes e repudia os ataques e as tentativas de intimidação promovidos por usuários da internet contra a profissional.
Maria Cristina é uma das jornalistas mais respeitadas do jornalismo político brasileiro e acumula décadas de experiência na produção de análises políticas fundamentadas em apurações de bastidores e fatos de interesse público.
A associação considera inadmissível qualquer tentativa de intimidar, constranger ou descredibilizar uma jornalista em razão de seu trabalho profissional. Divergências de opinião e críticas fazem parte do debate eleitoral, mas devem ser feitas com argumentos, e não com ataques pessoais, ameaças ou campanhas de intimidação.
Diretoria da Abraji, 28 de setembro de 2026.
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