Bolsonaro usou transição de gênero do filho para ameaçar Soraya Thronicke

Bolsonaro usou transição de gênero do filho para ameaçar Soraya Thronicke

A senadora Soraya Thronicke (PSB) revelou que a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a transição de gênero de seu filho para ameaçá-la durante a eleição presidencial de 2022. O relato foi feito pela primeira vez neste domingo (18) em entrevista ao podcast 3 Irmãos.

Segundo a parlamentar, a ameaça chegou por intermédio de terceiros, a deixou em estado de pânico e motivou uma série de decisões para proteger o filho, além de marcar definitivamente o fim de sua aliança com Bolsonaro.

De acordo com a senadora, a ameaça foi comunicada por terceiros durante um encontro que reuniu jornalistas ligados às campanhas presidenciais. A mensagem era direta: “O pessoal do Bolsonaro nos chamou, falando que vai estourar o antes e o depois do filho da Soraya Thronicke, a conservadora.” Ao tomar conhecimento, a senadora afirmou ter entrado em pânico e tomado a decisão de transferir o filho para o interior durante os 45 dias de campanha, para protegê-lo de uma eventual exposição pública.

Após a ameaça, o marido da senadora comunicou ao filho o que estava acontecendo e perguntou como ele reagiria caso as informações fossem divulgadas. A resposta, segundo a senadora, foi de encorajamento: “Pai, fala para minha mãe tocar o pau. Não estou nem aí.” Com o apoio do filho, Thronicke decidiu reagir e enviou um recado à equipe de Bolsonaro, desafiando-o a cumprir a ameaça.

“Avisa ao marqueteiro do Bolsonaro para  ele falar, para ele cumprir a ameaça. Se ele não quiser me ver explodir não só no Brasil, mas no mundo, que ele não faça isso. Se ele fizer, ele vai se arrepender pro resto da vida, porque eu vou acabar com ele”, relata a senadora.

A ameaça, no entanto, nunca foi concretizada. “Não chegou nesse ponto, ele não teve a coragem, porque é um covarde”.

Rompimento político 

Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 com o apoio de Bolsonaro, mas foi se afastando politicamente do ex-presidente ao longo do mandato. Em 2022, concorreu à Presidência pelo União Brasil e protagonizou embates diretos com Bolsonaro nos debates eleitorais, chegando a receber ameaças após criticá-lo publicamente, situação que levou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a oferecer reforço da Polícia Legislativa para sua segurança. A ameaça de expor o filho trans foi, segundo ela, o ponto de ruptura definitivo.

No segundo turno de 2022, Soraya ficou neutra, sem apoiar nem Bolsonaro nem Lula. Após a eleição, no entanto, passou a apoiar o governo Lula.  Com informações da Fórum

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