Põe no "Gugo": pesquisa no Google mostra que Jair Bolsonaro gastou mais que o dobro de Lula com cartão corporativo

Põe no “Gugo”: pesquisa no Google mostra que Jair Bolsonaro gastou mais que o dobro de Lula com cartão corporativo

O presidente Lula (PT) transformou o Google em um dos protagonistas do último debate presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23). Ao desafiar o adversário e recomendar que os brasileiros pesquisassem as informações na internet, Lula provocou uma corrida às buscas que se refletiu nos assuntos mais procurados do país.

A insistência do presidente para que os eleitores recorressem ao Google, chamado de “Gugo” nas brincadeiras que viralizaram nas redes sociais, ganhou força especialmente nas discussões sobre gastos públicos e denúncias envolvendo o senador bolsonarista.

Levantamento da Fórum no Google Trends, na madrugada deste sábado (24), mostra que a expressão “quem gastou mais no cartão corporativo” superou 100 mil buscas nas horas seguintes ao confronto, com crescimento superior a 1.000%. Outros assuntos mencionados pelos candidatos também apareceram entre as principais tendências nacionais.

A Fórum reuniu as pesquisas relacionadas ao debate e explica o que há por trás de cada uma delas.

Cartão corporativo, uísque de R$ 500 mil e Vorcaro

1. Quem gastou mais no cartão corporativo? — Mais de 100 mil buscas

Foi a pesquisa de maior repercussão entre os assuntos políticos identificados no levantamento. Nas considerações finais, Lula desafiou os telespectadores a comparar os gastos de seu governo com os da administração de Jair Bolsonaro.

Os dados mostram que Bolsonaro gastou mais com o cartão corporativo da Secretaria de Administração da Presidência da República. As despesas chegaram a aproximadamente R$ 42 milhões durante os quatro anos de Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

Já no governo Lula, entre 2023 e 2025, os gastos do mesmo órgão somaram R$ 20,4 milhões. Ou seja, o governo Bolsonaro registrou mais que o dobro das despesas contabilizadas nos três primeiros anos de Lula.

Os números constam do Portal da Transparência e foram confirmados pelas agências de checagem, que ressaltam a importância de comparar despesas equivalentes.

2. Whisky Macallan — Mais de 10 mil buscas

O uísque escocês de R$ 500 mil entrou no debate depois que Flávio Bolsonaro acusou Lula de ter recebido uma garrafa da bebida como presente do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele solicitou a compra de uma garrafa rara de Macallan 1945 para presentear o presidente. O preço informado ultrapassava 80 mil euros, aproximadamente R$ 500 mil.

Entretanto, não existe nenhuma prova pública de que Lula tenha efetivamente recebido a garrafa. As mensagens mostram a intenção do banqueiro de comprar o presente, mas não comprovam que ele tenha sido entregue ao presidente.

O Palácio do Planalto nega que Lula tenha recebido qualquer presente de Vorcaro. Questionado anteriormente sobre o assunto, o presidente afirmou que não se lembrava de ter ganhado a bebida.

A acusação utilizada por Flávio no debate, portanto, trata como fato consumado uma entrega que não foi comprovada.

3. Flávio Bolsonaro e Vorcaro — Mais de 5 mil buscas

Lula reagiu às provocações sobre o uísque lembrando das relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, especialmente dos R$ 134 milhões solicitados pelo senador para supostamente financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio admitiu ter solicitado esse montante e recebido R$ 61 milhões do banqueiro. O destino dos recursos e sua relação com a produção cinematográfica são objeto de controvérsia. Durante o debate, o presidente cobrou explicações sobre a proximidade entre o adversário e Vorcaro.

4. Lulinha — Mais de 10 mil buscas

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, também apareceu entre os assuntos mais pesquisados depois que Flávio Bolsonaro levantou suspeitas sobre o patrimônio e as relações empresariais do filho do presidente.

O senador mencionou o empresário Jonas Suassuna e a empresária Roberta Luchsinger, questionando a origem de recursos e a utilização de imóveis. Lula rejeitou as acusações e voltou a desafiar o adversário a abrir seus sigilos. As suspeitas levantadas por Flávio não equivalem à comprovação de irregularidades.

O “pai do bebê”, a ilha de Richarlison e o caso Ana Clara

5. Pai do bebê — Mais de 10 mil buscas

Uma das expressões mais inusitadas do debate foi “pai do bebê”, utilizada por Lula para se referir ao jogador Richarlison,  atacante da seleção brasileira. O apelido nasceu de uma brincadeira nas redes sociais envolvendo o filho do atleta e seus familiares.

Mas o assunto levado pelo presidente ao debate era sério. Richarlison denuncia ter perdido os direitos de ocupação de uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), pelos quais afirma ter desembolsado R$ 10 milhões.

O caso envolve o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, que obteve a posse do imóvel em meio a uma disputa judicial. Richarlison questiona a operação e a atuação de pessoas ligadas ao senador. Tomaz sustenta que sua aquisição foi legal, enquanto Flávio nega ter participado de qualquer irregularidade.

Lula cobrou explicações sobre a possível interferência de Flávio na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), responsável por procedimentos relacionados ao imóvel. O senador negou ter indicado um dirigente do órgão e afirmou que a Justiça já decidiu a disputa.

6. Mãe de Ana Clara — Mais de 5 mil buscas

O nome de Cristiane Gomes da Silva,  mãe de Ana Clara Gomes Machado, voltou a mobilizar os brasileiros. A menina de cinco anos morreu após ser atingida por um disparo de fuzil durante uma operação policial em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021.

Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo que matou a criança. O senador assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que levaria o acusado ao Tribunal do Júri.

Cristiane esteve presente no estúdio da Globo durante o debate. Ao abordar o caso, Flávio afirmou acreditar na inocência do policial e chegou a confundir o nome da mãe com o da filha morta.

Casa da Mulher Brasileira e Janones também mobilizam buscas

7. Casa da Mulher Brasileira — Mais de 2 mil buscas

O termo ganhou destaque depois que Flávio Bolsonaro prometeu criar a Casa da Mulher Brasileira em um eventual governo. O problema é que a iniciativa já existe.

O programa foi instituído no governo Dilma Rousseff, em 2013, para reunir serviços de acolhimento e proteção a mulheres vítimas de violência. Segundo o Ministério das Mulheres, em agosto de 2026 o Brasil contava com 13 unidades em funcionamento. O compromisso de Flávio, portanto, foi apresentado como criação de uma política pública que já havia sido implementada por um governo petista.

8. Live Janones — Mais de 2 mil buscas

O deputado federal André Janones (Rede-MG) também despertou a curiosidade dos internautas. Aliado de Lula e um dos responsáveis pela mobilização digital em torno das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro, Janones anunciou uma transmissão ao vivo para acompanhar o confronto e checar declarações dos candidatos.

O parlamentar já havia participado de uma live com Lula na quinta-feira (22). Na sexta, sua ausência no estúdio da Globo e os embates nas redes sociais ampliaram a repercussão de seu nome.

Quem ganhou o debate da Globo? E o que mostrou a checagem?

9. Quem ganhou o debate da Globo — Mais de 20 mil buscas

A pergunta foi uma das mais procuradas depois do confronto. Embora não exista um vencedor oficial de debates eleitorais, pesquisas qualitativas realizadas com grupos de eleitores indecisos registraram avaliações favoráveis a Lula em momentos importantes da transmissão.

Como mostrou reportagem da Fórum sobre as pesquisas qualitativas,  os levantamentos acompanharam as reações de eleitores ao desempenho dos dois candidatos.

Em uma das pesquisas, dez grupos de indecisos, distribuídos por cinco capitais brasileiras, avaliaram em tempo real as intervenções dos presidenciáveis.

No terceiro bloco, as respostas de Lula sobre reajuste de aposentadorias, aumento real do salário mínimo e licença-maternidade tiveram repercussão positiva nos grupos. Os participantes também questionaram mudanças de posição atribuídas a Flávio Bolsonaro.

As pesquisas qualitativas, conhecidas como “qualis”, ajudam a identificar percepções e reações dos participantes, mas não constituem amostras estatisticamente representativas do eleitorado e não permitem prever o resultado da eleição.

10. Placar de checagem do debate da Globo — Mais de 2 mil buscas

A curiosidade dos brasileiros também se voltou para o placar das mentiras no debate. E as verificações realizadas pelo site UOL Confere apontaram uma diferença expressiva entre os candidatos: Flávio Bolsonaro teve sete afirmações classificadas como falsas e outras sete como enganosas, contra uma falsa e uma enganosa de Lula. O placar foi de 14 a 2, considerando essas duas categorias no conjunto de declarações analisadas pelo veículo.

Entre as falsidades atribuídas a Flávio estão as alegações de que Lula teria defendido o roubo de celulares para comprar cerveja, de que o governo federal abandonou o Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024 e de que o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes acabaram com a Cracolândia, em São Paulo. O senador também fez afirmações falsas sobre obras paralisadas e sobre o financiamento do filme dedicado a Jair Bolsonaro.

A checagem ainda classificou como enganosas declarações de Flávio sobre o Bolsa Família, a transposição do Rio São Francisco, o agronegócio e as apostas online.

O efeito “Gugo” depois do debate

A repercussão digital confirma que algumas das questões levantadas no confronto continuaram mobilizando os brasileiros depois do encerramento da transmissão.

Além de “quem ganhou o debate”, “cartão corporativo” e “pai do bebê”, o próprio termo “Gugo” apareceu entre as tendências do Google, ultrapassando mil buscas. A expressão virou uma marca bem-humorada da insistência de Lula para que os espectadores verificassem as informações apresentadas na televisão.

Embora o volume de pesquisas não permita determinar a intenção dos eleitores nem antecipar o resultado das urnas, o levantamento mostra que o debate ultrapassou os limites do estúdio e levou milhares de brasileiros a procurar explicações sobre denúncias, personagens e episódios mencionados pelos candidatos. Com informações da Fórum

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