Helen Borges é formada em relações internacionais pela Universidade Federal de Goiás, vinda do quilombo de Retiro em Simolândia, ela foi aprovada como diplomata pelo CACD
A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, egressa do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás, se tornou a primeira quilombola aprovada no concurso público para Admissão à Carreira Diplomática (CACD), A candidata faz parte da comunidade quilombola do Retiro, que fica em Simolândia, na região nordeste de Goiás.
Realizado pelo Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o CACD é o concurso público que seleciona os novos diplomatas brasileiros e é considerado um dos processos seletivos mais difíceis do país. Podem concorrer brasileiros com qualquer curso superior e o salário inicial é de mais de R$ 20 mil.
O concurso de 2026 foi o primeiro a reservar vagas específicas para candidatos indígenas e quilombolas. Dentre as 60 vagas oferecidas, duas foram destinadas a indígenas e uma a quilombolas, justamente a vaga ocupada por Helen.
Filha de Nailza Gomes de Oliveira Borgens e Joel Ferreira Borgens, Helen nasceu e cresceu em Simolândia, no quilombo Retiro. Em entrevista ao jornal institucional da UFG, ela conta que sua infância frequentando a fazenda onde morava parte da família, foi o que moldou sua trajetória.
“Foi uma infância muito boa, de bastante conexão com aquela terra, com a natureza e com tudo ao redor, com minha família, que mora toda ali junto”, disse.
Helen contou que depois de começar a graduação, se distanciou da área e até pensou em desistir do curso, mas permaneceu por insistência da mãe; e foi nesse período que ela cursou a disciplina de Política Externa Brasileira, que reacendeu seu interesse pelas Relações Internacionais e, com ele, a vontade de se tornar diplomata.
Em 2023, ela imprimiu a prova aplicada em 2023 para entender o nível do exame e se preparar para o desafio. Após se formar, voltou para Simolândia para estudar para a prova.
Por morar no interior, Helen enfrentava grandes desafios no acesso ao estudo especializado e precisou até mesmo estudar inglês e todos os conteúdos além do básico, por conta própria. “Não tive professores nem ninguém para orientar, porque simplesmente não existia essa estrutura aqui. Era eu e Deus”, contou.
A próxima fase para Helen, é o curso de treinamento Instituto Rio Branco que dura de três a quatro semestres. Neste curso, durante o último semestre, os diplomatas em formação realizam um estágio prático no Itamaraty. A partir do momento da conclusão, o diplomata passa a cumprir expediente em tempo integral como Terceiro Secretário, a primeira posição na hierarquia diplomática. Com informações do Correio Braziliense
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
