Uma fala de Renan Santos (Missão) durante um encontro com empresários promovido pela Amcham Brasil, em setembro, voltou a viralizar nas redes sociais. No vídeo, o então candidato à Presidência faz ataques a Flávio Bolsonaro (PL) e chega a dizer que despreza quem pretende votar no senador. A declaração reaparece enquanto Renan mantém distância tanto de Flávio quanto de Lula (PT) e afirma que não declarará voto nesta etapa da eleição.
“Eu sou brasileiro, só que país que a gente virou? Isso aqui virou uma desgraça”, afirmou Renan durante o evento. Na sequência, o dirigente do Missão acusou Flávio de envolvimento com o Comando Vermelho e direcionou a crítica também aos eleitores do candidato do PL.
“O Flávio Bolsonaro é envolvido com o Comando Vermelho. Vou avisar aqui, se tem alguém aqui que vai votar neste cara, não conte com o meu respeito. Conte com o meu mais absoluto desprezo”, declarou. Renan prosseguiu: “Uma pessoa que vota em um cara envolvido com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, quer ter opinião política? Sua opinião política e lixo é a mesma coisa”.
A associação feita por Renan é uma acusação política e não corresponde a uma conclusão judicial ou policial de que Flávio integre ou tenha relação direta com a facção.
Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada de publicações que relacionavam o senador ao Comando Vermelho, afirmando não haver, nos conteúdos analisados, “qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica” que sustentasse esse vínculo.
Renan já havia explicado anteriormente que sua acusação estava relacionada ao apoio político atribuído a Flávio a figuras como Rodrigo Bacellar e o ex-deputado TH Joias, alvos de investigações da Polícia Federal. Em agosto, ele afirmou que o senador apoiava os dois e utilizou essas relações para sustentar seus ataques ao adversário.
Na fala que voltou a circular, Renan também atribuiu o cenário político à tolerância dos brasileiros com comportamentos que considera inaceitáveis. “Nós estamos reféns dessas circunstâncias, da apatia, da falta de vontade, do amoralismo do brasileiro está levando a gente para o buraco”, afirmou.
Críticas continuaram após o primeiro turno
Derrotado na primeira etapa da eleição, Renan não mudou o tom contra Flávio. Em entrevista recente ao programa “Alt Tabet”, do Canal UOL, afirmou que considera maior o risco de concentração de poder em uma eventual vitória do candidato do PL do que em uma reeleição de Lula.
“Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio”, declarou.
Renan disse, porém, não acreditar que uma vitória do senador resulte em uma tentativa de golpe militar como a articulada após a eleição de 2022. Para ele, o perfil político do filho de Jair Bolsonaro seria outro.“A natureza do Flávio é acordo e roubo”, afirmou, novamente sem apresentar provas para a acusação.
Por Augusto de Sousa
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