O Natal teve origem em festas pagãs que eram realizadas na antiguidade quando cultuavam o Deus Sol
A origem do Natal remonta às primeiras e remotas crenças da humanidade às quais, ao longo dos séculos, foram se incorporando novas tradições.
O Natal portanto, teve origem em festas pagãs que eram realizadas na antiguidade. Nessa data, os romanos celebravam a chegada do inverno (solstício de inverno). Eles cultuavam o Deus Sol (natalis invicti Solis), e ainda realizavam dias de festividades com o intuito de renovação. Os historiadores afirmam que colocar o Natal no dia 25 de dezembro era uma forma de esvaziar a festividade pagã e garantir fiéis ao cristianismo. O argumento retórico era basicamente mostrar que uma pessoa não estava celebrando Mitra ou o Sol Invicto na referida data, mas sim o nascimento de Jesus Cristo.
Na celebração do solstício de inverno (no Hemisfério Norte), celebravam a noite mais longa do ano, o momento em que os dias começam de novo a crescer, uma vitória simbólica do Sol contra a escuridão que acontece entre 21 e 22 de dezembro.
As cerimônias antecessoras ao Natal datam de 320 d.C. a 353 d.C. Coube ao papa Júlio 1 estabelecer a solenidade da comemoração em 25 de dezembro, “apesar da crença de que Jesus Cristo nasceu durante a primavera, talvez com a intenção de converter os pagãos romanos ao cristianismo”.
Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354.
De acordo com os historiadores, o 25 de dezembro foi a data escolhida para “aniversário” de Jesus por motivos simbólicos e não por corresponder ao dia de seu nascimento. Foi escolhido para que a data do nascimento de Jesus coincidisse com a festividade romana dedicada ao “nascimento do deus sol”, que comemorava o solstício de inverno.
“A data do Natal foi fixada em 25 de dezembro pelo imperador Constantino, porque nesse dia era celebrada a grande festa solar em Roma”, explica Ramón Teja, professor emérito de História Antiga da Universidade de Cantábria (Espanha), especialista em história do cristianismo e presidente de honra da Sociedade Espanhola de Ciência das Religiões. Assim, o imperador que transformou o cristianismo na religião de Roma, e que governou entre 306 e 337, identificava de alguma maneira sua figura com o divino, aproveitando o antigo festival do Dia do Nascimento do Sol Invicto. “Foi uma fusão do culto solar com o culto cristão”, diz Teja.
Historicamente, Jesus Cristo foi um profeta judeu que viveu na Palestina no século I d.C. Não existe nenhuma informação sobre a data de nascimento de Jesus.
O jornalista do EL PAÍS Juán Arias, um dos maiores conhecedores da figura de Cristo e profundo divulgador da história cristã através de livros como Jesus: Esse Grande Desconhecido, escreveu: “A lenda do nascimento de Jesus é silenciada por dois dos quatro Evangelhos canônicos: o de Marcos, considerado o mais antigo, e o de João. Eles iniciam o relato da vida de Jesus quando já era adulto.”
No livro “Persiguiendo el Sol: La historia épica del astro que nos da la vida”, o historiador Richard Cohen diz que praticamente todas as culturas têm uma forma de celebrar esse momento. “O aparente poder sobrenatural para governar as estações, que se manifesta nos solstícios, inspirou reações de todos os tipos: ritos de fertilidade, festivais relacionados com o fogo, oferendas aos deuses”.
Papai Noel
A origem do Papai Noel também é controversa. De certo, apenas que é resultado do sincretismo de várias culturas e religiões. Para alguns, a
Até o final do século 19, o Papai Noel era representado em desenhos com roupas de inverno tradicionais, em tons de marrom ou verde-escuro. As primeiras imagens do Papai Noel apresentavam um homem magro, outras se assemelhavam a um duende.
Segundo os historiadores, a “viagem” do Papai Noel até o nosso Natal é longo e tortuoso. Os mais radicais entre os protestantes, os puritanos, proibiram o Natal porque consideravam que era uma festa que estava se “paganizando”. Além disso, o protestantismo era contra a representação de figuras sagradas, o que não se encaixava muito nas tradições natalinas. O Parlamento britânico proibiu o Natal em 1644, restaurando-o apenas em 1660.
Os puritanos foram os primeiros colonos da América do Norte e levaram consigo aqueles costumes: em Boston, também proibiram a festa entre 1659 e 1681. Pouco a pouco, contudo, o Natal foi renascendo no Novo Mundo, embora os protestantes tenham buscado seu próprio caminho para diferenciá-lo do culto católico. Foi assim que se lembraram de um velho santo, São Nicolau, um santo de Mira, na atual Turquia, e sua lenda incluía a história de que ressuscitou três crianças assassinadas – daí sua conexão com a infância.
A importância cultural que os EUA adquiriram em nossas sociedades fez o resto: Papai Noel começou a colonizar as festas durante o século XX. O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss escreveu um pequeno ensaio sobre esse processo: O Suplício do Papai Noel (Cosac Naify). Segundo sua teoria, a chave não era o prestígio dos EUA, e sim “a função prática dos ritos de iniciação” – neste caso, ensinar que as boas ações têm recompensas, presentes em troca do bom comportamento.
Árvore de Natal
O pinheiro de Natal também empreendeu uma estranha viagem de ida e volta da Europa aos EUA, mas não é, em absoluto, uma invenção americana. Ao contrário: como Santa Claus, é uma exportação. Nesse caso, como acontece com os solstícios, o culto às árvores se perde nas profundezas das nossas tradições culturais e religiosas. Mas, como explica o professor MacCulloch, “a árvore de Natal é uma tradição mais cristã do que as pessoas pensam”. “Todas as religiões utilizam as árvores como símbolos, e elas são um elemento essencial da história do Gênese. As primeiras árvores de Natal decoradas que conhecemos são da Alemanha do século XVI, na época da Reforma. O próprio Martinho Lutero incentivou esse costume”, prossegue o professor de Oxford. De novo, uma tradição relacionada com o protestantismo – a árvore de Natal evita as representações de figuras sagradas – cruza o Atlântico e volta transformada em símbolo universal.
Reis Magos
A imensa maioria dos historiadores considera que Gaspar, Baltazar e Belchior têm uma função muito importante na tradição cristã porque, como explica Teja, “os reis que visitam [o Menino Jesus] são pagãos, não judeus, e são os primeiros que o reconhecem como um descendente da linhagem de Davi, como rei e como deus.” De fato, os cristãos do Oriente continuam comemorando o Natal em 6 e 7 de janeiro. Isso tem a ver com as diferenças entre o calendário juliano e o gregoriano, mas também com o fato de que o Oriente manteve, durante séculos, a Epifania como o momento-chave dessa festa. Sua associação com os presentes é muito mais tardia e começa no final do século XIX, embora sua presença na nossa cultura seja enorme.
Significado de desejar Feliz Natal
Não comemoram o Natal
Arábia Saudita. Como país de maioria muçulmana, a Arábia Saudita não celebra o Natal como uma festividade religiosa.
Além destes, China, Turquia e Índia, também não comemoram o Natal.
Imagem- Aventuras na História
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