TJAC lança primeiro Círculo de Construção de Paz para indígenas privados de liberdade

TJAC lança primeiro Círculo de Construção de Paz para indígenas privados de liberdade

Iniciativa do Núcleo de Justiça Restaurativa (Nujures) reúne 16 reeducandos de seis etnias e busca fortalecer práticas restaurativas no sistema prisional do estado

O Núcleo Permanente de Justiça Restaurativa (Nujures) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) lançou, na última sexta-feira, 10, o primeiro Círculo de Construção de Paz para indígenas em situação de cárcere. A iniciativa ocorreu no pavilhão multiprofissional da Penitenciária Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco, e reuniu 16 reeducandos.

A ação tem como objetivo garantir à população indígena privada de liberdade um acompanhamento durante o cumprimento da pena, com o apoio de equipes técnicas e multidisciplinares que consideram as especificidades étnicas, culturais e sociais. Participam do primeiro grupo reeducandos do regime fechado e presos provisórios, sendo eles de seis etnias: Apurinã, Jaminawá, Madja, Manchineri, Shanenawa e Huni Kuin.

A iniciativa prevê encontros quinzenais para que os participantes compartilhem experiências, dificuldades e expectativas em um espaço de escuta e diálogo. Os encontros incentivam a reflexão sobre os conflitos vivenciados, seus impactos e a construção de soluções pacíficas e restaurativas.

Espaço de escuta e diálogo

Durante o círculo, os indígenas se apresentaram e falaram sobre as expectativas em relação ao Círculo de Paz. Um deles resumiu o sentimento em uma palavra: “aprendizado”. Outro relatou o reencontro com “um irmão” após 11 anos. Os participantes compartilharam suas histórias e acompanharam as dinâmicas conduzidas pela equipe do Nujures.

O facilitador e servidor do TJAC, Fredson Pinheiro, mediou as atividades com o apoio das integrantes do Núcleo, Acássia Munira e Mirlene Taumaturgo. Na ocasião, explicou que o Círculo constitui um espaço democrático, no qual todos os participantes têm igual oportunidade de fala. Segundo ele, a prática visa contribuir para a pacificação social, a reintegração de pessoas privadas de liberdade e a redução da reincidência criminal.

Ao longo do encontro, os indígenas abordaram diferentes temas, entre eles o atendimento prestado pelo poder público e a percepção de que a iniciativa representa uma oportunidade para reconhecer erros do passado e construir novos caminhos após o cumprimento da pena.

Atuação interinstitucional

O primeiro Círculo de Construção de Paz com indígenas privados de liberdade é uma iniciativa do Nujures, em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen). A ação resulta da articulação entre as instituições e do entendimento de que é necessário fortalecer as práticas restaurativas no sistema prisional acreano.

Este trabalho atende às resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orientam uma abordagem voltada à reparação de danos e à reconstrução de vínculos, sem se limitar ao caráter punitivo. A iniciativa observa, ainda, as diretrizes que tratam a prisão de indígenas como medida excepcional, com prioridade para alternativas penais, além de estar alinhada ao Plano Pena Justa.

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