Coluna da Angélica: Natal sem o Darling

Coluna da Angélica: Natal sem o Darling

Não era a hora dele ir.

Alguém antecipou e encheu de tristeza o Natal de Rio Branco.

Como assim? O Moisés morto? Ele era unanimidade, não tinha inimigos, sequer adversários. Nunca prejudicou ninguém, pelo menos conscientemente.

Como sinônimo de alegria iluminava qualquer ambiente.

Por isso o choque.

Qualquer um poderia ser vítima de um ato brutal, nunca o nosso Poliana que sempre enxergava uma saída, um motivo para ser feliz, uma luz no beco mais escuro.  Tal qual a protagonista Pollyanna que disseminava positividade por onde ia.

Na última vez em que almoçamos juntos, Charlene Carvalho, eu e um cara chato pra dedéu, que se sentiu muito a vontade para espalhar suas chatices sob o incentivo do olhar doce e compreensivo de Moisés. Ele era assim. Não conseguia desconsiderar alguém. Nem os chatos.

Foi esta pessoa que acabou cruelmente assassinada a facadas.

O mundo é insano.

O ser humano é desumano.

E a tristeza é nossa.

Só nossa, porque ao chegar lá em cima ainda meio desorientado, foi recebido por um São Pedro que animado gritou para os outros quebrando o silêncio do paraíso: “genteeeeee é o Darling!”.

Imediatamente alguém pegou um pandeiro, outro arrastou um bongô e num piscar de olhos estavam todos com roupas cintilantes e a festa começou.

Um trio elétrico enfeitado passou com Moisés Alencastro puxando a alegria, porque sim, ele sobe no caminhão.

E qualquer hora dessas vai contatar alguém aqui de baixo para contar alguma piada. Se fazer lembrado.

Como se precisasse.

Porque uma pessoa como Moisés não some.  Não desaparece. Não morre. Vai fazer festa em outra dimensão.

 

 

 

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