Relatório de organização israelense registra 83 atos de assédio contra cristãos em três meses e aponta escalada da violência na Jerusalém ocupada
lérigos cristãos, freiras, peregrinos e locais sagrados enfrentam um ambiente cada vez mais hostil em Jerusalém, segundo um novo relatório que documenta um padrão de ataques que inclui cuspidas, agressões físicas, ameaças, vandalismo, ataques contra cristãos e ataques direcionados a procissões religiosas.
Essas constatações surgem em meio a alertas crescentes de líderes cristãos palestinos de que o clima político de extrema direita em Israel, o extremismo dos colonos e a indiferença oficial estão exercendo uma pressão cada vez maior sobre a presença cristã histórica em Jerusalém e em toda a Palestina.
O último relatório do Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa de Israel (RFDC) registrou 83 atos de assédio contra cristãos entre abril e junho de 2026, distribuídos em 76 incidentes distintos. O centro afirmou que os incidentes fazem parte de um padrão mais amplo que exigiu a criação de uma linha direta, assessoria jurídica, monitoramento voluntário e até mesmo escolta protetora para freiras e clérigos em Jerusalém.
De acordo com o RFDC, Jerusalém continua sendo o epicentro do assédio anticristão. Dos 76 incidentes registrados no segundo trimestre de 2026, 68 ocorreram em Jerusalém.
Somente a Cidade Velha de Jerusalém ocupada foi palco de 46 incidentes, enquanto o Monte Sião — conhecido pelos palestinos como Jabal Sahyun — registrou nove e Jerusalém Ocidental, 13. Apenas sete incidentes foram registrados fora de Jerusalém, incluindo em Haifa, na Galiléia, em Tabgha, perto do Mar da Galiléia, na Cisjordânia ocupada, em Beit Shemesh e em Mevaseret Zion, que Israel chama de Mevaseret Yerushalayim.
A Rua do Patriarcado Armênio foi o local mais afetado na Cidade Velha, com 18 incidentes. O Portão de Damasco registrou oito, o Portão de Jaffa, seis, a Via Dolorosa, cinco, e o Bairro Judeu, três.
A forma mais comum de abuso foi cuspida, com 47 casos, representando 56% de todos os atos de assédio documentados. O relatório também registrou oito casos de agressão verbal, seis casos de comportamento ameaçador, cinco incidentes de arremesso de lixo, quatro agressões físicas, seis casos de vandalismo em placas e sete outros incidentes.
O RFDC afirmou que, assim como em relatórios anteriores, “o elevado número de incidentes de cuspida continua sendo particularmente impressionante”. A organização alertou que tais atos têm ocorrido cada vez mais “abertamente, em plena luz do dia e, às vezes, de maneira deliberadamente ostensiva”. Em vários casos, os agressores chegaram a explicar aos voluntários da linha direta, inclusive diante das câmeras, por que acreditavam que seu comportamento era justificado. O relatório também registrou casos em que pais cuspiram e gritaram insultos na frente de seus filhos, enquanto os encorajavam a se comportar da mesma maneira.
A organização alertou para uma “ousadia crescente”, afirmando que assédios e agressões ocorrem cada vez mais em espaços públicos, com “pouca hesitação” por parte dos agressores. O relatório citou a agressão violenta a uma freira no Monte Sião e os insultos verbais dirigidos a um monge em um supermercado como exemplos dessa tendência.
Um dos incidentes mais graves ocorreu em 28 de abril, perto da Sala da Última Ceia, no Monte Sião, onde, segundo o relatório, um homem judeu “correu em direção a uma freira de longe, derrubou-a no chão e a feriu”. Imagens de vídeo da polícia documentaram a agressão e uma queixa foi registrada.
Após esse ataque, a linha direta da RFDC passou a oferecer acompanhamento de proteção para freiras e clérigos que se deslocam de e para o Monte Sião. O centro informou que voluntários têm acompanhado as freiras em seus deslocamentos diários desde maio, mantendo também presença durante os feriados cristãos e as procissões na Cidade Velha de Jerusalém.
Em outro incidente, em 23 de maio, a Igreja do Redentor, na Cidade Velha, foi alvo de um ataque após o fechamento. De acordo com o depoimento do organista da igreja, batidas fortes na porta foram acompanhadas por gritos de “Morte aos cristãos”.
Outros incidentes tiveram como alvo monges católicos e clérigos armênios. Em 16 de abril, um monge católico em um supermercado em Talpiot foi assediado verbalmente por um homem que gritou: “Saia do país”, e instruiu uma criança a dizer a ele: “Tomara que você morra”.
O relatório também registra ataques a procissões e peregrinos. Em 16 de abril, um homem cuspiu na direção de uma procissão que acompanhava o arcebispo copta na Rua David. Durante a procissão de boas-vindas ao novo Núncio Apostólico, em 28 de maio, um adolescente cuspiu na direção da procissão no Bairro Cristão, enquanto outro jovem entrou na procissão perto do Portão de Jaffa e cuspiu de maneira ostensiva.
Peregrinos cristãos também foram alvo de ataques. Em 15 de maio, um homem cuspiu perto de peregrinos russos que carregavam pequenas cruzes nas mãos, nas proximidades da Igreja do Pretório, na Via Dolorosa. Em outro caso no mesmo dia, um homem cuspiu em direção a um grupo de peregrinos russos. Um policial o deteve brevemente, mas o liberou depois que ele alegou ter cuspido apenas por ter catarro na garganta.
O relatório também descreve abusos anticristãos cometidos por crianças em idade escolar. Em 24 de maio, alunos do ensino médio da Escola Nofim BaGalil, em Tiberíades, gritaram insultos anticristãos e slogans de ódio na Cidade Velha de Jerusalém.
Locais sagrados e símbolos cristãos também foram vandalizados repetidamente. Pichações anticristãs foram pintadas em um abrigo público doado por cristãos evangélicos em Mevaseret Zion. Placas de sinalização que levavam à Igreja de Cafarnaum foram vandalizadas.
No Monte Sião, galhos de uma escultura de oliveira presenteada pelo Papa João Paulo II para o milênio foram deliberadamente dobrados e quebrados. O relatório também registrou incidentes repetidos de garrafas, lixo e fragmentos sendo jogados dentro dos recintos de mosteiros, incluindo o Mosteiro Polonês em Jerusalém. Com informações do Ópera Mundi
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