Não, não são os melhores nem os que mais merecem que são premiados com o Nobel.
Na verdade, o prêmio que foi criado para reconhecer os melhores de cada área, em vários casos não passa de um instrumento de geopolítica.
Desenhando: na década de 1970, quando Margaret Tatcher e Ronald Reagan queriam implementar as ideias do livre mercado para fazer o mundo aceitar ideias que beneficiariam os bilionários, Friedrich Hayek e Milton Friedman, defensores dessa teoria concentradora de riqueza nas mãos de poucos, foram vencedores do Nobel de Economia. Hayek em 1974 e Friedman em 1976, exatamente quando o laboratório neoliberal estava sendo implantado na América do Sul.
Nem venha com cara de surpresa, ok? Afinal o Nobel de Ciências Econômicas foi criado pelo Banco Central da Suécia, 67 anos depois da criação do Prêmio Nobel.
O Prêmio Nobel foi criado em 1901 originalmente com o objetivo de reconhecer os que fizessem o melhor pela humanidade nas áreas de física, química, medicina e paz. Mas nem seu criador Alfred Nobel escapou de polêmica: criador da dinamite, ao desenvolver suas pesquisas com nitroglicerina como explosivo, registrou vários acidentes que mataram diversas pessoas, inclusive o irmão dele, o que lhe valeu a alcunha de “comerciante da morte”.
Alfred deixou sua fortuna para premiar pessoas que colaborassem com o bem-estar da humanidade para ser lembrado e ter seu legado reconhecido. E assim foi. Assim é. Assim será. Será?
Vejamos:
Em 1939, Adolf Hitler foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz “por seu amor ardente pela paz, documentado em seu livro Mein Kampf”. Espantada? Não deveria.
Quatro presidentes dos Estados Unidos receberam o Prêmio Nobel da Paz. Em ordem cronológica, Theodore Roosevelt; Woodrow Wilson; Jimmy Carter e Barack Obama.
Não por mera coincidência Theodore Roosevelt iniciou seu mandato de presidente no ano em que o prêmio foi lançado. Roosevelt foi o presidente que recuperou e adotou a Doutrina Monroe, também conhecida por Big Stick Policy (Política do Grande Porrete), o equivalente ao atual Tiro, Porrada e Bomba, que justificava intervenções militares dos EUA, inclusive preventivas, na América Latina (Central e do Sul), Caribe e Pacífico. Essa política foi usada para manter os países latino-americanos sob o controle dos Estados Unidos, inclusive colocando no poder governantes e grupos políticos favoráveis aos EUA.
Barack Obama, outro ganhador do Nobel da Paz, não passou um só dia de seus dois mandatos como presidente dos EUA sem estar em guerra. Foram 8 anos de governo com tropas de seu país em combate ativo. Enviou militares estadunidenses para o Iraque, Afeganistão, Líbia, Paquistão, Somália e Iêmen. Derrubou Khadafi na Líbia e suas tropas invadiram o Paquistão para assassinar Osama Bin Laden. Na guerra do Iraque, o exército dos Estados Unidos usou armas químicas proibidas, como o fósforo branco e urânio empobrecido o que causou aumento de doenças genéticas nos habitantes civis.
Sabendo de tudo isso, o Nobel da Paz 2025 para Maria Corina, uma insignificante política da Venezuela, não causa surpresa. Maria Corina não foi premiada pela sua insignificância no cenário mundial, tampouco pelo seu antagonismo com os valores da paz, da democracia e dos direitos humanos, mas para preparar o terreno ideológico e psicológico (opinião pública mundial) para favorecer uma intervenção dos EUA na Venezuela.
Os Estados Unidos querem controlar o petróleo da Venezuela não apenas o petróleo em si, mas o petróleo como instrumento de valorização do dólar. Só os EUA imprimem dólar, moeda que vem perdendo espaço nas negociações internacionais. A partir dos BRICS muitos países já pararam de pagar pedágio aos Estados Unidos e estão usando suas próprias moedas nas negociações.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, superior até as da Arábia Saudita e Maria Corina é entreguista. Volte aos primeiros parágrafos e grave o código.
Observe que o Prêmio Nobel em muitos casos é a versão internacional daquele premiozinho sem vergonha chamado Ranking dos Políticos que não premia políticos por suas ações em defesa da população, mas aqueles que mais se aproximam da defesa da agenda liberal e do regime de mercado. Os critérios para as indicações são aplicados por conselheiros ligados ao mercado e ao grande empresariado. Dentre os conselheiros está o ex-presidente do BC, no governo FHC, Gustavo Franco, Dalton Luis Gardiman, do Bradesco, Flávio Amary da Fiesp, e outros 10 com o mesmo perfil. Para esses conselheiros a qualidade legislativa para a indicação é seguir a cartilha do mercado.
Se você acredita na isenção desses prêmios, tanto o Nobel como o Ranking dos Políticos, sorria peãozinho do xadrez mundial. Você está sendo enganado.
Bom domingo.
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