O Brasil deve um agradecimento a Lula. Por sua resistência, sua dedicação e sua disposição de continuar servindo ao País
O Brasil deve um agradecimento muito especial a Luiz Inácio Lula da Silva. Aos 80 anos, depois de uma vida inteira dedicada à construção de um país mais justo, democrático e soberano, o presidente poderia estar desfrutando de um descanso merecido. Poderia contemplar uma trajetória extraordinária, que começou na pobreza do sertão pernambucano, passou por Garanhuns, pelo chão das fábricas do ABC paulista e chegou ao posto mais alto da República. Mas Lula escolheu continuar lutando pelo Brasil. E, neste domingo, 25 de outubro de 2026, conquistou seu quarto mandato presidencial, um feito sem precedentes na história nacional.
O Brasil também deve um agradecimento ao seu povo. Aos milhões de brasileiros que compreenderam a dimensão histórica desta eleição e se mobilizaram para decidir o futuro do país. Aos que foram às ruas, enfrentaram dificuldades, conversaram com familiares e amigos, combateram a desinformação e não permitiram que o desânimo se transformasse em resignação.
Foi uma vitória construída coletivamente, em circunstâncias extraordinariamente difíceis. Lula chegou ao segundo turno depois de ter sido superado por Flávio Bolsonaro na primeira votação. Enfrentou uma campanha marcada pela polarização, pelo peso das plataformas digitais, por uma cobertura frequentemente hostil de setores da grande imprensa e por denúncias de irregularidades eleitorais que precisam ser devidamente investigadas. Ainda assim, conseguiu ampliar sua votação em cerca de 10 milhões de votos e alcançar 51,79% dos votos válidos, segundo os números divulgados pelo TSE.
A virada eleitoral foi, acima de tudo, uma demonstração da força da mobilização popular. Nenhuma campanha, por mais sofisticada que seja, consegue substituir a energia de uma sociedade que decide participar de seu próprio destino.
Lula merece gratidão também por sua capacidade de resistência. Poucos líderes políticos enfrentaram tantas adversidades e conseguiram preservar uma relação tão profunda com parcelas expressivas da população. Sua biografia se confunde com a própria história da redemocratização brasileira, com a ascensão social de milhões de trabalhadores e com a construção de uma política externa que procura assegurar ao Brasil uma posição independente no mundo.
Aos 80 anos, Lula poderia ter escolhido a tranquilidade. Preferiu assumir novamente as responsabilidades de governar uma nação de mais de 200 milhões de habitantes, em um momento de transformações geopolíticas, tecnológicas e econômicas sem precedentes. Trata-se de uma decisão que exige coragem, disposição e um compromisso extraordinário com a vida pública.
Mas a gratidão não deve ser dirigida apenas ao presidente. Ela deve alcançar cada brasileiro que participou desta jornada.
O Brasil deve um agradecimento especial às mulheres, que estiveram presentes na mobilização social e política, nas ruas, nas comunidades e nas redes digitais. Deve agradecer à juventude, que demonstrou disposição para participar dos grandes debates nacionais e ajudou a renovar as formas de comunicação política. E deve agradecer às pessoas idosas, que compareceram às urnas levando consigo a memória de outras lutas, de outras crises e de outras conquistas democráticas.
Deve agradecer também aos trabalhadores, aos movimentos sociais, aos artistas, aos intelectuais, aos comunicadores e a todos aqueles que contribuíram para ampliar a participação popular.
Nesta eleição, ficou evidente que a democracia brasileira não pode depender apenas das instituições, por mais importantes que elas sejam. Sua vitalidade está também na consciência política da sociedade, na disposição de defender direitos e na capacidade de transformar indignação em mobilização e participação.
A eleição revelou, ao mesmo tempo, a dimensão dos desafios que o Brasil terá pela frente. A influência das grandes plataformas digitais sobre o debate público, a circulação industrial de desinformação, as desigualdades sociais e a radicalização política exigirão respostas democráticas, institucionais e transparentes. A soberania nacional, no século XXI, também depende da capacidade de um país de proteger sua esfera pública e assegurar que suas decisões fundamentais sejam tomadas por seus próprios cidadãos.
O pronunciamento de Lula após a vitória, com seu agradecimento especial ao vice-presidente Geraldo Alckmin, apontou caminhos importantes para o novo mandato. O presidente anunciou a intenção de ampliar a participação popular nas decisões de governo, fortalecer o Sistema Único de Saúde, avançar na universalização da educação em tempo integral, ampliar o Pé-de-Meia e criar uma modalidade universitária do programa. Também prometeu atenção especial às mulheres e aos idosos, além de reafirmar o respeito à Constituição e à liberdade religiosa.
Ao afirmar que governará para todos os brasileiros, inclusive aqueles que não votaram nele, Lula reconheceu uma responsabilidade essencial de qualquer presidente eleito: a de compreender que a vitória nas urnas encerra a disputa eleitoral, mas inaugura uma obrigação ainda maior com a sociedade.
O resultado também precisa ser respeitado por todos os atores políticos, nacionais e internacionais. A democracia pressupõe alternância, competição e reconhecimento da soberania popular. Nenhum interesse particular, econômico ou geopolítico pode se sobrepor à vontade expressa livremente nas urnas.
Há, por fim, um agradecimento devido aos brasileiros que ajudaram a construir e sustentar espaços de jornalismo independente, como o Brasil 247 e a TV 247. Ao longo de sua trajetória, esses veículos procuraram manter no centro do debate público a defesa da democracia, da soberania nacional, dos direitos sociais e de uma política externa independente. Seus leitores, espectadores e apoiadores fizeram parte dessa história, permitindo que vozes e interpretações frequentemente ausentes dos grandes meios de comunicação encontrassem espaço no debate nacional.
A vitória de Lula não elimina as contradições brasileiras, não resolve automaticamente os problemas do país e tampouco dispensa a vigilância crítica da sociedade. Ao contrário, aumenta a responsabilidade de todos os que desejam um Brasil mais desenvolvido, justo e soberano.
Mas há momentos em que é necessário reconhecer a grandeza de uma conquista coletiva.
O menino pobre que saiu do sertão pernambucano, tornou-se operário, liderou greves históricas, ajudou a fundar um partido e chegou quatro vezes à Presidência da República escreveu mais um capítulo extraordinário da história brasileira.
E o povo que tornou possível essa trajetória demonstrou, mais uma vez, sua capacidade de participar dos grandes momentos nacionais.
Por tudo isso, o Brasil deve um agradecimento a Lula. Por sua resistência, sua dedicação e sua disposição de continuar servindo ao país.
E deve um agradecimento ainda maior ao povo brasileiro, verdadeiro protagonista desta história.
Muito obrigado, Lula. Muito obrigado ao povo brasileiro!
Por Leonardo Attuch
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