Coluna da Angélica: cala a boca idiota útil

Coluna da Angélica: cala a boca idiota útil

Juro que tentei não meter o bedelho na nova polêmica sobre o Bolsa Família, aquele mísero reajuste de 15.04%, que passa o auxílio de R$ 600 para R$ 691, mas não deu porque se faltam neurônios para os do contra, sobra direitismo aos imbecis. E cá entre nós, estou cansada dessa guerra contra a ignorância. Por isso a dureza das palavras.

E nem peço desculpas, talkey? Porque esse pessoal que saudou durante anos a grosseria de Jair Bolsonaro não tem moral para exigir polidez de ninguém. São balas trocadas. Ponto.

Primeiro que o o reajuste do Bolsa Família em 2026 vai custar R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos, enquanto o “Bolsa Banqueiro”, custou  astronômicos, R$ 49 bilhões em 2024. Mais de 8 vezes o valor do Bolsa Família, dois anos atrás. Para banqueiros tudo bem né? Para os pobres comerem, não. Bolsa Banqueiro é aquela remuneração da sobra de caixa dos bancos pelo Banco Central que garante remuneração diária aos bancos sobre recursos que sequer pertencem a eles e que se alimenta da alta taxa de juros (a maior do mundo), que prejudica a economia do país.

Segundo que o Bolsa Agro, conhecido por Plano Safra, destinado à agricultura empresarial, aquela que produz soja para alimentar as vacas da Europa, será de R$ 525,1 bilhões, mais de 90 vezes o custo do Bolsa Família. Alguém reclamou?

Mas contra o aumento de R$ 91 no Bolsa Família abundam (aqui a referência é bundões mesmo) críticas. E nem vou me ater a tentativa daquele ridículo do chapelão que está no Congresso graças a ignorância dos que votaram nele, que tentou barrar o aumento do Bolsa Família na justiça.

Quero falar dos imbecis endinheirados e dos inocentes úteis.

Os primeiros são os que reclamam que não conseguem serviçais por causa do Bolsa Família. “Ninguém mais quer trabalhar”. Uhum! Experimentou pagar melhor? Sim, porque o IBGE mostrou que mais de 5,4 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família quando conseguiram ingressar no mercado de trabalho formal e ampliaram a renda. Madame não leva em conta que seus empregados têm que gastar com transporte, roupas, produtos de higiene etc, para se apresentarem ao trabalho. Madame não quer pagar e culpa o Bolsa Família, porque sem o benefício conseguiria serviçal em troca de pão seco. E depois vai à igreja vestida de santa. Fala sério! Estamos vendo a fragilidade de seus argumentos.

Já o inocente útil é o pobre que cai na esparrela do rico e passa a defender os afortunados em detrimento de suas próprias más condições. O rico é contra impostos porque não precisa dos serviços do Estado: tem plano de saúde, dinheiro para pagar escolas caras, helicóptero para se locomover, segurança privada e por aí vai.  O inocente útil ao sistema endossa a gritaria dos ricos contra os impostos, achando que sem os tributos seu dinheiro vai render. Burro! Sem impostos não terá o Posto de Saúde, o Pronto Socorro, as UPAS, as vacinas, a Farmácia Popular; não terá como pagar escola e o filho (a) será o analfabeto (a) que terá que trabalhar na casa da madame em troca de pão seco. O rico não se importa com a qualidade do asfalto porque não usa ruas e estradas- transita pelos ares em seu brilhante helicóptero ou avião; não precisa de segurança pública porque tem dinheiro para pagar segurança privada. Quem fica ao Deus dará, à própria sorte, no caso ao azar, é o pobre idiota que ecoa o rico.

Nunca pensei que concordaria com Olavo de Carvalho um dia. Pois esse dia chegou graças ao imbecil,  inocente útil.

Disse Olavo: “o idiota útil, por definição, é idiota demais para saber que é útil a quem o utiliza”- assino embaixo enquanto ouço e vejo a manada defender Flávio Bolsonaro.

Bom dia, aos que tiraram os óculos da falsa ideologia.

Coluna de opinião

Contato- angellica.paiva @gmail.com

 

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