Decisão às vésperas da eleição gerou alerta dentro do governo brasileiro e na Abin
Sem dar qualquer explicação detalhada, o governo norte-americano emitiu uma nota anunciando que todos os seus consulados no Brasil estarão fechadas a partir desta sexta-feira, dia 2 de outubro. A decisão pegou membros do governo, diplomatas e servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de surpresa.
No comunicado, o governo norte-americano afirma que “os serviços consulares na Embaixada e nos Consulados dos EUA no Brasil serão suspensos a partir de sexta-feira, 2 de outubro, devido a questões de segurança”.
Isso inclui os postos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Os funcionários foram orientados a trabalhar a partir de suas casas.
Não há qualquer informação sobre quando os postos reabririam. A decisão de fechar um serviço de tal importância para os emigrantes dos EUA é considerada dentro da diplomacia como “extrema” e apenas tomada em última instância.
Fontes diplomáticas indicaram ao ICL Notícias que a decisão foi tomada na quinta-feira, depois que os EUA receberam supostamente ameaças.
O texto ainda aponta que “cidadãos norte-americanos que necessitem de assistência de emergência durante esse período não devem comparecer à Embaixada, aos Consulados ou a outras instalações diplomáticas dos EUA”.
“Caso precise de assistência de emergência, entre em contato com o oficial de plantão responsável”, afirma a nota, que apresenta diversos números de telefone e emails alternativos.
Tumultuar ou ameaça legítima?
Membros do governo receberam a notícia com “preocupação”. O ICL Notícias apurou que integrantes do governo brasileiro tentaram obter, desde ontem, informações sobre os detalhes de como seriam essas ameaças.
O que chamou a atenção de brasileiros é de que não houve aumento do alerta de viagem para o Brasil. O Travel Advisory americano permanece no nível 2 (“Exercise Increased Caution”).
Em agosto, o governo norte-americano havia elevado o alerta de risco para o nível 4 para áreas específicas do Brasil, citando o crime organizado.
“Funcionários do governo dos EUA que trabalham no Brasil precisam de autorização especial para viajar para as seguintes áreas, devido a riscos de segurança:
- Em um raio de 160 km (100 milhas) das fronteiras terrestres do Brasil (exceto viagens para Foz do Iguaçu e o Pantanal),
- Assentamentos habitacionais informais no Brasil e,
- As Regiões Administrativas de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, entre as 18h e as 6h.
Mas a atitude desta semana despertou a suspeita de uma parte das instituições brasileiras de que o anúncio tenha como objetivo causar medo e instabilidade em pleno momento eleitoral no país. “A mensagem que passa é que estamos vivendo um momento perigoso”, destacou um diplomata brasileiro. Para outra fonte, uma decisão como essa causa tumulto, num período já delicado.
Num comunicado, o Departamento de Estado americano insistiu que “a administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americano”.
“Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, disse o Departamento de Estado.
Para o governo norte-americano, de fato, a questão de segurança de seus diplomatas é considerado como prioridade em seus postos no exterior. Em julho deste ano, a própria Embaixada dos EUA em Brasília já havia sido alvo de ameaças de explosão. Um americano de 42 anos residente em Araçatuba foi investigado pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento da PCDF. Ele teria enviado e-mails ameaçando explodir a Embaixada em Brasília e atacar cidadãos americanos. Houve busca e apreensão em 8 de julho.
Por Jamil Chade e Cleber Lourenço
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