O voto que pode custar o mercado do agro brasileiro: se Lula cair, vocês caem junto

O voto que pode custar o mercado do agro brasileiro: se Lula cair, vocês caem junto

A adesão da Frente Parlamentar da Agropecuária e de Ronaldo Caiado a Flávio Bolsonaro expõe um conflito que não cabe em afinidade ideológica. O agro brasileiro se aproxima de Washington enquanto disputa com produtores americanos alguns dos mercados que sustentam sua própria expansão

O problema não é gostar dos Estados Unidos ou da China. É saber quem compra, quem concorre, quem controla ativos estratégicos e o que o Brasil perde quando troca margem de manobra por alinhamento. Os documentos já permitem fazer essa conta sem adivinhação.

Quando a ideologia chega à planilha

Há alguns meses publiquei um texto chamado “Se Lula cair, vocês caem junto”. O argumento era simples. Num mundo reorganizado pela disputa entre Estados Unidos e China, afinidade política não revoga interesse econômico. Potências defendem seus produtores, suas empresas, sua tecnologia e seu poder. Não era uma profecia. Era uma conta. A julgar pelo entusiasmo com que parte do agro recebeu a candidatura de Flávio Bolsonaro, talvez valha conferir os números mais uma vez.

Em 1º de outubro, a diretoria da Frente Parlamentar da Agropecuária declarou apoio oficial a Flávio. Quatro dias depois, Ronaldo Caiado anunciou que faria o mesmo no segundo turno. Nada há de estranho em empresários, produtores ou suas representações políticas apoiarem quem consideram mais próximo de seus interesses. A curiosidade começa quando se pergunta se todos os interesses entraram na planilha.

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