A sobrecarga tem se refletido na saúde emocional dos professores.
Ao menos duas pesquisas realizadas este ano mostram a dimensão do problema. Uma delas, realizada pelo portal Nova Escola, ouviu 8,1 mil educadores de todos os estados brasileiros das redes pública e privada. Segundo o levantamento, divulgado em 21 de julho, 28% dos entrevistados avaliam a própria saúde mental como ruim ou péssima nesse momento. Entre os profissionais mineiros, o percentual é de 32%. A experiência de trabalho remoto foi classificada como ruim ou péssima por 72% dos participantes do estado.
Em maio, outro estudo, conduzido pelo Instituto Península, envolvendo 2,4 mil docentes de todo Brasil, delineou um cenário semelhante: 53% dos respondentes disseram estar muito ou totalmente preocupados com a própria saúde. Muitos também relataram sentimentos como medo, ansiedade e insegurança.
Submetidos a longas jornadas, desafios técnicos e alto nível de cobrança durante a pandemia, professores estão suscetíveis à síndrome de Burnout.
Para a psicóloga e especialista em terapia cognitiva comportamental, Renata Borja, o quadro é propício ao desenvolvimento da chamada Síndrome de Bournout. O distúrbio consta na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde maio de 2019. Os principais sintomas são exaustão, alterações no apetite e humor, sentimento de incompetência, dores musculares e falhas na memória – resultantes de trabalhos desgastantes, competitivos ou que envolvem muita responsabilidade. Em estágios mais avançados, o esgotamento profissional pode levar à depressão profunda.
Entre os principais fatores que impactam a saúde emocional dos professores na quarentena, está a transformação brusca imposta pelo ensino remoto, que exigiu o desenvolvimento de habilidades e competências em grande velocidade. Muitos professores não estavam habituados a lidar com a tecnologia e foram pressionados a aprender diversas técnicas rapidamente. A curva de aprendizado leva um tempo, que eles não tiveram. Soma-se a isso o fato de que muitas escolas sequer ofereceram cursos ou treinamentos adequados, os profissionais precisaram se virar sozinhos. Tudo isso gera sensação de fracasso, impotência, frustração, entre outras emoções muito negativas.
Grande carga de responsabilidade, alto nível das cobranças, além da rotina familiar que, com o home office, acabou por atropelar o trabalho. Trabalhar em casa com filhos, poucos computadores disponíveis, medo de perder o emprego e ainda o receio da própria pandemia exige muito do profissional. Leia Aqui
Foto- Colégio Plack
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
