Festival Katxá Nawá Hô Hô Ika fortalece tradições e intercâmbio de culturas na Aldeia Boa União

Festival Katxá Nawá Hô Hô Ika fortalece tradições e intercâmbio de culturas na Aldeia Boa União

Festival contou com a presença do jornalista Carlos Minuano do portal Uol

Descendo alguns quilômetros pelas águas do rio Envira, a partir de Feijó, na margem esquerda, algumas embarcações de madeira indicam que há grupos de visitantes chegando para o Festival Katxá Nawá Hô Hô Ika, do povo Huni Kuî, na Aldeia Boa União. Antes de ancorar, praias de areia branca, barrancos e galhos de árvores revelam que o Envira está mais seco que o costume neste verão amazônico. Mas isto não foi impedimento para a chegada de grupos que somaram entre 500 e mil pessoas, segundo estimativa das lideranças locais, no festival que aconteceu neste último final de semana.

“Os jovens fazem a festa acontecer”, conta o cacique Josimar Matos Kupi Huni Kuî sobre o fortalecimento da cultura do povo, durante a décima edição do Festival Katxá Nawá Hô Hô Ika. A festividade que entrou em janeiro, pela primeira  vez, no calendário oficial de eventos do Estado, tem um significado único para os Huni Kuî da Aldeia Boa União. O evento recebeu apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) e Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) para sua realização.

“No cenário geral, o festival é o chamamento do espírito dos legumes, para fortalecer a agricultura familiar dentro da própria aldeia. E não deixa de ser uma forma de concentrar todo o povo, onde você vai ver seu amigo, seu parente, ter uma relação de intercâmbio”, apontou um dos líderes locais, Décio Biná Huni Kuî.

Na chegada, cada visitante recebe o entrelaçamento de braços de dois membros da comunidade, levando-o ao centro, onde a dança tradicional acontece embalada pelo entoamento de Hô Hô, a canção dos músicos que comandam a festa. Os brincantes vão dançando ao redor da canoa e montagem de frutas e palhas de bananeira no centro da aldeia, até que os entrelaçados começam a oferecer banana prata e da terra aos visitantes, seguido da famosa matxú – ou caiçuma, bebida fermentada da macaxeira. E segue o baile.

“A inclusão dos festivais indígenas no calendário oficial do Estado e o apoio do governo, por meio da Sete, vem exatamente com esse propósito de fortalecer as festividades tradicionais que já acontecem. No que pudermos ajudar, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo vai contribuir”, destacou o titular da Sete, Marcelo Messias.

 

 

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