Operações conjuntas entre Brasil e Itália visam esquema que teria movimentado R$ 2 bi em envio de cocaína para Europa

Operações conjuntas entre Brasil e Itália visam esquema que teria movimentado R$ 2 bi em envio de cocaína para Europa

Operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva no Brasil, um na Espanha, e 31 mandados de busca e apreensão em diversos estados brasileiros

Duas operações deflagradas nesta terça-feira em conjunto por autoridades brasileiras e italianas têm por objetivo desarticular um esquema de envio de cocaína de países da América do Sul para a Europa que se valeriam do uso de navios cargueiros ou aviões, afirmaram comunicados da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

O esquema envolve uma parceria entre alguns integrantes da facção criminosa paulista PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta, da região do Piemonte, segundo a PGR e duas fontes com conhecimento do caso.

As investigações apontam que o grupo criminoso se aproveitava da estrutura logística fornecida pelos brasileiros para transportar grandes quantidades da droga para a Europa se valendo do Porto de Paranaguá, no Paraná. A droga era escondida em contêineres que levavam cerâmica, louça sanitária ou madeira e tinham como destino sobretudo o Porto de Valência, na Espanha.

Outra parte da droga era remetida por aeronaves privadas, que tinham como destino aeroportos na Bélgica. O grupo estrangeiro, segundo as investigações, promovia a retirada da mercadoria antes da fiscalização aeroportuária.

As autoridades indicaram que a organização criminosa mantinha uma complexa rede de lavagem de dinheiro que, segundo estimativas, realizaram movimentação financeira superior a 2 bilhões de reais entre 2018 e 2022.

Foram determinados o bloqueio de bens e valores e o sequestro de imóveis dos investigados da ordem de 126 milhões de reais por determinação das Justiças brasileira e italiana, após pedidos do Ministério Público de ambos os países.

No Brasil, as operações cumpriam ainda 46 mandados de busca e apreensão em endereços em sete Estados. Uma fonte envolvida diretamente na operação contou à Reuters que, ao todo, 36 pessoas e 43 empresas foram alvos de bloqueio de bens.

O principal alvo da operação no Brasil, que as investigações apontaram ter laços com o PCC, teve 12 imóveis bloqueados em locais como Mato Grosso, Florianópolis e São Paulo — uma das unidades foi uma casa de luxo em Alphaville em Barueri (SP).

Esse alvo teve uma ordem de prisão expedida contra ele, mas segue foragido, enquanto os demais 17 alvos de prisão no Brasil foram detidos, conforme a fonte.

Outro dos alvos de ordem de prisão na Espanha não foi encontrado e o nome foi incluído na difusão vermelha da Interpol, disse a fonte.

Na Itália, a polícia informou em um comunicado que cinco pessoas foram presas.

Reuters

Veja também

Messi e Yamal: a final do fim do mundo

Messi e Yamal: a final do fim do mundo

O mundo vai parar neste domingo para a grande final da maior Copa de todos …