Dino nega pedido do Partido Novo para suspender recursos de programa do Ministério da Saúde

Dino nega pedido do Partido Novo para suspender recursos de programa do Ministério da Saúde

Defensor do ultraliberalismo e da privataria, Novo tentou pegar carona na queda de braço sobre as emendas para barrar recursos para realização de procedimentos de média e alta complexidade pelo SUS

O Partido Novo tentou pegar carona na queda de braço entre Arthur Lira (PP-AL) e o Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das emendas e entrou com uma ação para suspender recursos do “Programa de Trabalho 10.302.5018.8585” do Ministério da Saúde, que destina recursos para realização de procedimentos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.

No entanto, a manobra foi barrada pelo ministro Flávio Dino, que acusou a tentativa do partido, defensor do ultraliberalismo e da privataria, em decisão publicada nesta quarta-feira (1º).

Na ação, o Novo fez um imbróglio jurídico ao confundir os recursos do programa, classificados como despesas primárias obrigatórias (RP1), com emendas de relator (RP9) e das emendas de comissões (RP8), alegando que a verba seria destinada pelo governo “de forma discricionária e sem critérios técnicos” para compensar “perdas parlamentares”.

Em sua decisão, Dino denunciou a manobra do Novo, tentando confundir as emendas obrigatórias – RP1 – com aquelas que são parte do chamado orçamento secreto.

Segundo o ministro, o Novo tratou de fatos “distintos das controvérsias sobre as emendas parlamentares” na ação para tentar barrar os recursos obrigatórios do programa do Ministério da Saúde.

Emendas para a saúde

Em meio ao embate com Lira, Dino autorizou na terça-feira (31), o empenho das chamadas “emendas de comissão” para garantir o cumprimento do piso constitucional de gastos mínimos em saúde pelo governo federal em 2024. A medida busca assegurar que 15% da Receita Corrente Líquida seja destinada ao setor, como prevê a Constituição.

A Advocacia-Geral da União (AGU) apontou a necessidade de um aporte adicional de R$ 2,1 bilhões para atingir o piso constitucional, dos quais R$ 370 milhões são provenientes de emendas de comissões.

Dino destacou, entretanto, a fragmentação e a falta de planejamento dessas emendas, que frequentemente ignoram indicadores sanitários e podem estar sujeitas a irregularidades.

“Esse fato mostra uma preocupante dependência de gastos vinculados a emendas parlamentares […], sem levar em conta indicadores sanitários objetivos, além dos terríveis casos de improbidade já identificados ou em investigação”, afirmou o ministro.

Na decisão, Dino determinou que as comissões de Saúde da Câmara dos Deputados e do Senado Federal informem até 31 de março de 2025 os nomes dos parlamentares responsáveis pelas emendas. Caso o prazo não seja cumprido, as emendas poderão ser anuladas automaticamente.

Até que os autores sejam identificados, Dino suspendeu a execução dos valores, permitindo apenas o empenho. Segundo ele, a medida visa garantir eficiência, transparência e rastreabilidade no uso dos recursos.

“Sem planejamento, conjugado com adequada vontade política e administrativa, a balbúrdia orçamentária – violadora da Constituição Federal – não terá fim”, destacou o ministro.

Apoio do STF

Em nota divulgada em seu site, o Supremo avalizou as decisões do ministro Flávio Dino para colocar um fim definitivo no chamado “orçamento secreto”, esquema criado no governo Jair Bolsonaro (PL) que turbinou a distribuição de emendas parlamentares e provocou a explosão de casos suspeitos de corrupção nas bases eleitorais.

“Decisões tomadas no final deste ano pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram o bloqueio de parte das emendas de comissão do Congresso Nacional. As decisões integram uma série de medidas relacionadas ao tema das emendas parlamentares (instrumento por meio do qual o Legislativo atua na destinação de verbas do orçamento anual), que vem sendo discutido pela Corte desde 2022. Os posicionamentos da Corte são fundamentados na Constituição Federal, que exige que a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal forneçam informações e dados contábeis, orçamentários e fiscais ‘de forma a garantir a rastreabilidade, a comparabilidade e a publicidade dos dados coletados, os quais deverão ser divulgados em meio eletrônico de amplo acesso público’”, enfatiza a corte.

O Supremo ainda se coloca ao lado de Dino, que barrou uma carta-resposta vazia feita pela Advocacia da Câmara, a pedido de Lira, para explicar a mais recente manobra, que buscava distribuir R$ 4,2 bilhões das chamadas emendas de comissões apenas com o aval das lideranças partidárias.

Desse total, mais de R$ 300 milhões seriam destinados a Alagoas, estado natal de Lira, e contemplava, entre outros, uma série de construção de campos de futebol Society – levantamento suspeita assim como foi feito o esquema investigado pela Polícia Federal com os kits robótica.

“Com base em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU), o STF verificou o descumprimento dessas exigências constitucionais na execução de diferentes modalidades de emendas parlamentares? – incluindo individuais, de relator, de bancadas estaduais e de comissão. Entre 2019 e 2024, foram pagos R$ 186,3 bilhões sem que houvesse clareza sobre a origem e o destino dos recursos”, diz o texto, que elenca, ponto a ponto, a queda de braço de Dino com Lira – veja ao final da reportagem.

Revista Fórum

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