Um projeto desenvolvido por bilionários da Inteligência Artificial tem levado milhares de pessoas a formar fila em São Paulo para receber moedas virtuais que podem render em torno de R$ 600, em troca da leitura da íris, que é uma informação única, como a impressão digital.
A “venda do olho”, como tem sido descrita pelo povão, já levou mais de 400 mil pessoas a encararem as máquinas, muitas vezes ignorando os riscos apontados por especialistas em segurança digital.
Especialistas apontam que os dados referentes à íris são sensíveis, por se tratar de uma identificação única, e apontam riscos da prática
O projeto já foi proibido em países como Espanha e Alemanha, que têm dúvidas sobre as reais intenções da empresa e a capacidade de uma pessoa revogar a permissão para uso de suas informações, caso se arrependa. A World também teve problemas em países asiáticos (Indonésia) e africanos (Quênia e Zimbábue). Fora isso, está na mira de autoridades de proteção de dados em outros locais do planeta.
No Brasil desde novembro, está sob investigação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ainda não deu um parecer a respeito.
Para especialistas, não está suficientemente claro como a empresa privada vai tratar os dados que foram coletados, fora os problemas éticos que envolvem, por exemplo, a dificuldade de uma pessoa ter informação suficiente para decidir a respeito do compartilhamento ou não dessas informações.
Chamado de Tools for Humanity (ferramentas para a humanidade), o projeto foi desenvolvido pela empresa World, com participação do bilionário Sam Altman, fundador da Open AI, do ChatGPT. Segundo os responsáveis, trata-se de uma iniciativa para provar que determinada pessoa é, de fato, um ser humano, e não um robô, ao usar a internet. Isso se daria pela leitura presencial da íris, que é um dado único, como as digitais, aumentando a segurança na internet.
Ninguém dá dinheiro de graça
Histórias de famílias inteiras que passaram pelo procedimento foram ouvidas também no Boulevard Tatuapé, na zona leste, onde as filas chegaram a se formar para fora da área destinada à coleta dos dados. Muitos também afirmaram, em diversos pontos da capital paulista, que já fornecem gratuitamente seus dados para outras empresas e que, no caso da íris, estariam ganhando com isso, o que seria uma vantagem.
Como funciona
- A pessoa se cadastra em um aplicativo, com seus dados, e agenda a leitura da íris em uma das dezenas de postos instalados na capital paulista;
- Ao chegar ao local, o interessado apresenta seu RG ao segurança e se dirige à fila, onde assiste primeiro a um vídeo bastante genérico sobre o projeto;
- O foco dos atendentes está na capacidade de a pessoa responder claramente que está ali para provar que é “um ser humano único” e que sua atitude contribui para uma “internet mais segura”. Não pode falar de dinheiro;
- Na sequência, é realizada a leitura da íris, diante de uma esfera cromada chamada “orb”;
- O escaneamento é ativado a partir do celular do interessado;
- Após a leitura, a pessoa fica diante de outra tela, onde é explicado como ela poderá resgatar as 48 moedas às quais tem direito;
- As primeiras 20 moedas ficam disponíveis para transferência em um período de 24 a 48 horas após a verificação da íris, com possibilidade de transferência por Pix, via aplicativo da World. As demais vêm nos meses seguintes;
- A pessoa não pode desinstalar o app e deve deixar o backup ativo pelo período de um ano para não perder o direito à grana.
Os atendentes da World recebem pouco mais de um salário mínimo e todos aqueles que foram ouvidos pela reportagem afirmaram que também passaram pelo processo de verificação da íris.
Mais de 400 mil pessoas verificaram sua humanidade com a World no Brasil. As informações são do Metrópoles
Imagem Ilustrativa Cryptopolitan
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