Sofri um processo de violência, mas nada se compara ao que os palestinos enfrentam
O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou na manhã desta sexta-feira (13) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser deportado por Israel. Ele havia sido detido no último domingo (9) a bordo do veleiro “Madleen”, embarcação interceptada por militares israelenses no Mar Mediterrâneo. A ação mirava barrar a chegada de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, levada por integrantes da Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC, na sigla em inglês).
Ele foi recebido pela esposa, Lara Souza, pela filha e por cerca de 40 ativistas em solidariedade à causa palestina.
Durante a entrevista concedida no desembarque, Ávila rechaçou ser tratado como “herói” e afirmou ter participado da missão como “aliado” do povo palestino. Em tom enfático, classificou Netanyahu como “o maior inimigo do mundo hoje”. “A gente tentou o máximo que a gente pôde levar nossa missão humanitária e a gente foi impedido por um Estado racista, supremacista, que há oito décadas realiza limpeza étnica. Não tem nada a ver com religião, tem a ver com ideologia, o sionismo. E esse sionismo precisa ser enfrentado”, disse.
Questionado por Natália Araújo, do Brasil 247, sobre o papel da imprensa brasileira no que acontece em Gaza, Ávila ressaltou que o “genocídio de oito décadas e o processo de limpeza étnica não teriam acontecido se houvesse uma expressão muito forte em todos os setores sociais: no governo, na diplomacia, nas áreas econômica e comerciais e, também, na comunicação. É importante que se diga que mais de 200 colegas de vocês foram assassinados em Gaza. É muito importante que a gente honre esses colegas de vocês falando a verdade sobre o que aconteceu. A gente sabe que a pressão econômica é muito forte e a gente precisa ter coragem para romper com essa pressão econômica”, disse.
“A gente sabe que no coração de cada trabalhador jornalista dá vontade de contar a verdade e que, nem sempre, as estruturas permitem. Agora, é importante que a gente garanta que todo veículo fale a verdade a partir de agora. A gente sabe que, infelizmente, em um ano e nove meses as pessoas ainda traziam a hipótese a cada bombardeio de hospital: ‘será que não tinham túneis debaixo destes hospitais? Será que não tinham armas nesses hospitais?’. A cada bairro residencial bombardeado perguntavam: ‘será que ali não tinha um alvo militar?’. A cada criança que era assassinada: ‘será que aquela criança não fez alguma coisa?’. Isso foi combustível para o genocídio que aconteceu”, ressaltou.
“Então que vocês [jornalistas] não hesitem mais, por favor. Um bombardeio a um hospital é um bombardeio a um hospital. O assassinato de uma criança é o assassinato de uma criança. Simples assim. Um genocídio é um genocídio”, completou em seguida.
O ativista também denunciou as condições de detenção impostas por Israel. Segundo ele, os integrantes da flotilha foram “sequestrados” e submetidos a pressões para assinar declarações que admitissem entrada ilegal no país. Ao se recusar, Ávila foi levado à solitária de um centro de detenção, onde permaneceu em um ambiente sem refrigeração e sem luz, o que o levou a iniciar uma greve de fome.
“Eles ameaçaram me colocar no isolamento total, e foi o que fizeram. Foram dois dias lá dentro. Sofri um processo de violência, mas não quero falar muito sobre isso porque nada se compara ao que os palestinos enfrentam. Estamos lá por eles”, declarou.
Thiago reforçou a urgência de ações globais contra a ocupação de Gaza. “Por conta dessa ocupação, colocam crianças em prisão administrativa. O mundo felizmente acordou pro horror que é o sionismo e agora a gente precisa encontrar algum jeito, o que é que o mundo vai fazer para deter esse horror?”, questionou. As informações são do Brasil 247
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