Áudios obtidos pela Polícia Federal revelam que policiais civis e militares, advogados e traficantes atuaram juntos para liberar uma carga de 10 toneladas de maconha no Rio de Janeiro.
A droga saiu do Mato Grosso do Sul com nota fiscal de frango congelado e foi interceptada na Serra das Araras, mas acabou liberada após o pagamento de propina. Segundo as investigações, o caminhão foi parado pela Polícia Rodoviária Federal e, em vez de ser apreendido, virou objeto de negociação entre agentes e representantes do crime organizado.
Gravações mostram que os policiais exigiram R$ 2 milhões para liberar o veículo. A esposa de um dos traficantes, Lucinara Koerich, afirmou em áudio: “Os polícia tão pedindo dois milhão pra soltar a mercadoria”. O motorista do caminhão foi usado como intermediário pelos policiais, que entraram em contato com os advogados da facção por meio do celular dele. A carga, ligada ao Comando Vermelho, foi entregue no Complexo do Alemão e o caminhão retornou ao Sul.
Na volta, o veículo foi parado novamente e fragmentos de maconha foram encontrados, permitindo a realização de exame pericial. Isso comprovou o crime e reforçou o andamento da investigação. Para liberar a carga, o policial civil Deyvid da Silveira redigiu um documento falso, alegando que “nada foi encontrado”. A propina foi dividida entre policiais e advogados, que também reclamaram, em áudios, por não terem recebido a parte prometida.
Já os traficantes Carlos Koerich, Lucinara Koerich e Marcelo Bertoldo permanecem presos por tráfico e organização criminosa. Durante a investigação, a PF descobriu que os policiais civis envolvidos participavam de um grupo de mensagens chamado “Mente de um Vilão”, onde discutiam operações ilícitas desde 2020. Em um dos áudios, o policial Juan Felipe fala sobre “beliscar alguma coisa” de cargas de São Paulo.
A Corregedoria da Polícia Civil informou que todos os agentes estão afastados e respondem a processo administrativo que pode resultar em demissão. “A sociedade deve confiar na polícia, mas ações como essa abalam a credibilidade do Estado”, declarou o promotor Fabiano Oliveira. O delegado Pedro Duran reforçou: “Respeitamos o trabalho da polícia, mas lamentamos a ousadia de quem se alia ao crime”. As informações são do DCM
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