Foram os norte-americanos, entre as décadas de 1940 e 1970 – ou seja, em plena Guerra Fria, no embate direto entre os Estados Unidos e a então União Soviética – os que mais taxaram a renda na história moderna. Vamos a alguns números, apenas para ilustrar.
Nos anos de 1944 e 1945, a alíquota máxima do imposto para rendas superiores a US$ 200 mil anuais (o que hoje equivaleria a pouco mais de R$ 1 milhão por ano) era de 94%. Isso mesmo: os norte-americanos pagavam até 94% de imposto de renda sobre os ganhos mais altos. Mas os defensores dos ricos, dos bilionários, dos bancos, das “bets”, dos sonegadores e dos praticantes da elisão fiscal podem respirar aliviados: na década seguinte, o governo norte-americano “reduziu” essa alíquota para apenas 91% sobre a renda acima de US$ 200 mil anuais. Estão vendo?
E o que aconteceu com os Estados Unidos com essas medidas? O país quebrou? Entrou em colapso? Muito pelo contrário.
Essa política de alta tributação sobre os mais ricos, adotada como resposta à desigualdade – que, tanto lá quanto aqui, representa um risco real à democracia -, patrocinou um crescimento robusto e sustentado da economia americana, com média de 4% ao ano. Reduziu a desigualdade de renda e salários, aumentou a renda das famílias, fortaleceu a classe média, ampliou os investimentos públicos e garantiu estabilidade social e política no pós-guerra.
Por isso, os senhores deputados e senadores que, com cinismo, se colocam contra a taxação dos BBB — bilionários, bancos e bets —, precisam assumir de vez que estão defendendo uma elite que se beneficia do trabalho de toda a sociedade para multiplicar suas fortunas. Digam isso claramente à população, e esperem a resposta nas urnas em 2026.
Por Oliveiros Marques. UNB
Imagem- Pngtree
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