A Revolta dos Malês é baseado em fatos históricos e retrata a maior revolução da história do Brasil organizada por escravizados muçulmanos chamados de malês, palavra derivada do Iorubá, imale, ou muçulmano.
Os malês eram mais instruídos que seus senhores, alfabetizados em árabe, falavam duas e até três ou mais línguas, ocupavam trabalhos de contadores, instrutores e professores dos filhos dos senhores. Apesar da condição de escravos, não eram submissos, mas muito altivos.
O levante dos malês organizado pelos africanos muçulmanos se valeu da educação privilegiada para a época, trocando bilhetes que os senhores analfabetos não entendiam. A insurreição mobilizou a população negra, escravizada e liberta pelas ruas de Salvador contra a escravidão, em 1835.
A revolta foi chefiada por africanos muçulmanos e encabeçada por líderes como Pacífico Licutan que reforçava a importância da participação de diferentes grupos, tribos e religiões para o sucesso da revolta e para o fim da escravidão.
O fracasso da revolta provocou maior repressão a pessoas negras escravizadas no Brasil.
Os muçulmanos escravizados chegaram ao Brasil no final do século XVIII. Aqui promoveram secretamente atividades de alfabetização e memorização do Alcorão. Na descrição do historiador Ramos, “Eram altos robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como outros negros muçulmanos, um pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros escravos”.
Constituíram associações de ajuda mútua, como a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador. Parte desta história real é contada no excelente livro Um defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves.
Inconformados com a condição de escravizados, articularam vários levantes que desaguaram no maior deles durante o Ramadã, mês de jejum islâmico. Com a derrota muitos foram condenados à morte, e outros muçulmanos foram deportados de volta para a África a fim de diminuir sua influência sobre os outros negros.
Sobre o filme
Na trama, um casal é separado após serem arrancados de sua terra natal na África e trazidos para o Brasil à força como escravizados. Enquanto lutam para sobreviver e tentar se reencontrar, ambos se envolvem no levante dos Malês.
O elenco conta com Rocco e Camila Pitanga filhos do diretor, Bukassa Kabengele, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, e tem roteiro assinado por Manuela Dias.
No filme, Antonio interpreta Pacífico Licutan, um dos líderes da rebelião que incentivava a participação de pessoas diferentes etnias e religiões para o sucesso da revolta e o fim da escravidão.
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