Em 1890, o Paraná era coberto de mata atlântica, araucária e campos gerais. Atualmente tem menos de 5% de mata natural
“O que acontece é que os ventos se formam naturalmente, mas ganham força em uma paisagem cada vez mais desprotegida. Há agricultura em centenas de quilômetros, sem anteparo de florestas nem montanhas. É algo cientificamente compreensível, mas que mostra o descaso com a preservação ambiental”, avalia.
Fenômenos mais intensos
O tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, na noite de sexta-feira (7), é resultado de fenômenos climáticos que têm se tornado mais frequentes e intensos no estado, segundo o climatologista. Mendonça explica que eventos como o tornado do último fim de semana ocorreram em outras épocas, mas estão se tornando mais comuns e intensos com o aquecimento do planeta.
“Esses fenômenos sempre aconteceram em regiões tropicais e subtropicais, mas agora ocorrem com muito mais frequência. O ano passado foi um dos mais quentes da história da Terra, e este também está sendo. As águas do oceano se aquecem e injetam mais vapor no ar, o que torna a atmosfera mais turbulenta”, diz.
De acordo com ele, o encontro entre o ar quente e o ar frio é o principal gatilho para a formação de ciclones e tornados.
‘Sem florestas, as cidades ficam mais vulneráveis’, diz climatologista sobre tornado no PR
Para o pesquisador, o avanço do desmatamento e o aquecimento das águas do oceano eliminam o anteparo natural contra os ventos fortes, o que deixa as cidades mais vulneráveis a ciclones e tornados.
“As matas são o anteparo natural contra a força dos ventos. Sem elas, os fenômenos se formam mais rápido, mais fortes e chegam às cidades. Sem florestas, as cidades ficam mais vulneráveis”, explica Mendonça.
Segundo ele, o Paraná é especialmente vulnerável porque perdeu quase toda sua cobertura original de floresta.
O Rio Iguaçu Famoso pelas quedas d’água que atingiram a menor vazão do ano, a bacia do Iguaçu perdeu um quinto da vegetação original desde 1984.
É o segundo ano seguido em que a atração, reconhecida como patrimônio natural da humanidade pela Unesco, fica irreconhecível. Em abril de 2020, a vazão nas quedas foi ainda menor que a atual, chegando a 259 mil litros por segundo.
Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a vazão da água perto das quedas foi de 308 mil litros por segundo, 1/5 do fluxo normal, nos dias 9 e 10 de junho.
Segundo o MapBiomas, plataforma que monitora o uso do solo no Brasil, entre 1985 e 2019, a região da bacia do Iguaçu perdeu 21,3% de sua vegetação nativa, formada principalmente pela Mata Atlântica.
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