Privatiza que piora: Enel terá contrato rompido por ineficiência no fornecimento de energia em momentos de crise

Privatiza que piora: Enel terá contrato rompido por ineficiência no fornecimento de energia em momentos de crise

O governo de São Paulo, junto à prefeitura da capital, anunciou oficialmente o rompimento do contrato com a concessionária Enel, após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, entre o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O encontro, ocorrido a portas fechadas, tratou do pedido das duas esferas de governo para o fim da relação com a Enel, que atualmente gerencia o fornecimento de energia elétrica no estado até 2028. O processo de caducidade do contrato com a concessionária será iniciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), conforme anunciou o ministro.

No entanto, o ministro não especificou quanto tempo esse processo poderá levar. O pedido de rompimento é uma resposta à “ineficiência” da empresa no fornecimento de energia, especialmente em momentos de crise, como o ocorrido recentemente com o ciclone que atingiu a região.

Tarcísio, classificou a situação da Enel no estado como “insustentável”. Para ele, a empresa não tem mais condições de prestar um serviço adequado à população paulista.

Nunes, por sua vez, apresentou documentos que demonstram a falta de estrutura da empresa para lidar com eventos climáticos extremos, como a tempestade da semana passada, que deixou 2,2 milhões de endereços sem energia. O prefeito afirmou que ficou claro que a Enel não possui o compromisso e a capacidade de enfrentar as adversidades, evidenciando a falha na prestação do serviço.

O rompimento do contrato com a Enel também foi impulsionado pelo recente apagão que afetou a cidade de São Paulo e diversos municípios do estado. Após o evento, tanto a prefeitura quanto o governo estadual voltaram a pressionar o governo federal para que a renovação do contrato com a concessionária não fosse autorizada.

O prefeito, em uma reunião com o presidente Lula na sexta-feira (12), apelou por ajuda, afirmando que a situação da energia no estado estava se tornando insustentável. O contrato com a Enel tem validade até 2028, mas a empresa solicitou à Aneel uma renovação antecipada, o que foi amplamente questionado por autoridades locais.

Caminho da privatização

A Eletropaulo, antecessora da Enel no fornecimento de energia em São Paulo, foi fundada em 1981 e privatizada em 1999, quando o então governador do Estado, Mário Covas (PSDB), a incluiu no Programa Estadual de Desestatização (PED). Na privatização, a companhia foi dividida em quatro: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Bandeirante de Energia (EDP Bandeirante), Empresa Paulista de Transmissão de Energia e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE).

A Eletropaulo Metropolitana, responsável pela distribuição na Grande SP, foi adquirida por consórcio liderado pela AES Corporation. Após a compra pela AES de ações das outras empresas do consórcio em 2001, e outras mudanças de reestruturação societária em 2002, a AES assumiu a Eletropaulo – que passou a ser chamada de AES Eletropaulo até 2018.

A Enel Distribuição São Paulo, atual concessionária, entrou em cena em 2018, após a AES Eletropaulo ser comprada pelo Grupo Enel, multinacional italiana do setor elétrico. Em junho daquele ano, a Enel adquiriu 73,38% das ações da Eletropaulo por R$ 5,55 bilhões, em leilão realizado na B3.

À época, o governo estadual era comandado por Márcio França (PSB). O Estado não vendeu sua participação no processo porque os papéis estavam dados como garantia em outra operação financeira. Com a operação, a marca Eletropaulo deixou de existir, dando origem à Enel Distribuição São Paulo.

Tarcísio privatizou a água

A privatização da Sabesp, vendida pelo governador Tarcísio de Freitas como a “jóia da coroa” de sua gestão, virou justamente o oposto: um dos maiores focos de desgaste político às vésperas de 2026.

A privatização da Sabesp foi concluída em julho de 2024, com um evento de “toque de campainha” na B3, marcando a transferência do controle acionário do governo de SP para a iniciativa privada, com a Equatorial se tornando o investidor de referência, após um processo iniciado em 2023 e com a venda de ações finalizada no dia 22 de julho de 2024.  

Imagem- O Eco

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