Do início ao fim a marcha de Nikolas foi marcada pela irresponsabilidade

Do início ao fim a marcha de Nikolas foi marcada pela irresponsabilidade

Um raio atingiu apoiadores que acompanhavam a caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) neste domingo (25) em Brasília. A descarga elétrica ocorreu nas proximidades da Praça do Cruzeiro durante uma forte chuva.

Testemunhas relataram que várias pessoas caíram após sofrerem choques elétricos. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que 11 pessoas foram feridas e encaminhadas para o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Segundo órgão, não houve registro de óbitos.

Desde sexta-feira (23), fortes chuvas atingem a capital federal. Neste domingo, foram registrados alagamentos em várias regiões, incluindo a Feira dos Importados, no SIA, em Ceilândia, Plano Piloto e o Park Shopping.

Mesmo após o incidente que atingiu mais de 80 pessoas, o ato de encerramento foi mantido. Oficialmente o protesto, liderado pelo parlamentar Nikolas Ferreira ocorreu em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderança de organização criminosa; tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito; golpe de Estado; dano contra o patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado.

Raio em ato de Nikolas Ferreira deixou 89 feridos; 11 estão internados em estado grave

Acusado de irresponsabilidade por manter o ato pró Bolsonaro mesmo sob alerta de chuvas intensas e risco de descargas elétricas, Nikolas classificou a tragédia como “incidente natural”. “Não foi por uma irresponsabilidade nossa”.

O deputado ainda aproveitou para tentar se desvincular das investigações sobre o banco Master. Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, o de deputado Rogério Correia (PT-MG), vice líder petista na Câmara, falou das relações de Nikolas com o grupo criminoso do Banco Master que tem origem na capital mineira.

“Eles são todos aqui de Belo Horizonte: Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, o pastor Zettel, a irmã do Vorcaro, esposa do Zettel, que também é pastora aqui da igreja, apoia o Nikolas Ferreira e o presidente da CPMI, Senador Viana, também membro desta igreja”, disse Correia.

 

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou em post que, “do início ao fim”, a marcha convocada pelo deputado Nikolas Ferreira a Brasília, foi marcada pela irresponsabilidade.

Segundo o parlamentar, o ato começou com bloqueios e ocupação da BR-040 sem comunicação à PRF, ao DNIT ou a “autoridades competentes”, e terminou neste domingo (25), sob forte tempestade, quando um raio atingiu os manifestantes, levando mais de 30 pessoas ao hospital e deixando oito em estado grave.

Caminhada na BR-040 sem aviso e com risco na estrada

Ao descrever a mobilização, Lindbergh acusou os organizadores de terem saído “caminhando pela BR-040” sem informar órgãos responsáveis pela segurança e pela gestão da rodovia. Ele afirma que o grupo “fechou pista” e “ocupou a via”, agravando o risco para participantes e para quem trafegava na região.

O deputado também citou episódios de improviso ao longo do trajeto: “Teve até helicóptero pousando na borda da estrada”, escreveu, sustentando que a marcha “brincou com a vida das pessoas”.

Tempestade em Brasília e mastro improvisado como para-raios

No encerramento, Lindbergh disse que a “irresponsabilidade” teria se repetido ao não haver dispersão do ato mesmo com “tempestade forte em Brasília”.

De acordo com sua publicação, “um mastro improvisado virou para-raios” e o resultado foi o atendimento hospitalar de dezenas de pessoas, com casos graves. Ele também criticou a postura de Nikolas após o episódio, afirmando que o deputado fez “um discurso confuso” e “sem uma palavra de solidariedade às vítimas”.

O escândalo do Master

Ainda segundo o líder do PT, Nikolas teria encerrado a manifestação atacando Alexandre de Moraes, afirmando que “é só o começo” e concluindo com uma oração “contra a corrupção”. Lindbergh relacionou o gesto ao que chamou de tentativa de desviar o foco do “escândalo do Banco Master”, mencionando “Vorcaro no centro”, “ligação com Fabiano Zettel, Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas”. Para ele, a marcha buscou produzir “cortina de fumaça”, mas “não ultrapassou a bolha bolsonarista”.

Ao final do post, Lindbergh afirmou que “as investigações da PF seguirão” e que a reação política virá com “campanha no (pré)carnaval contra a anistia”, “em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria” e “pelo fim da escala 6×1”.

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