A tradição vem dos gregos, que no início da primavera homenageavam Reia, a mãe de todos os deuses, com rituais e oferendas.
Mas o reconhecimento oficial desse costume começou no século XX, nos Estados Unidos, graças à insistência de uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua.
Em 1905, Anna Jarvis iniciou uma campanha pelo que chamou de “Dia das Mães”, após a morte de sua mãe, Ann Reeves Jarvis.
Três anos depois, ela organizou uma homenagem para a mãe, mesmo que a data não fosse um feriado oficial, e tornou-se uma ativista da causa.
Sua luta para que o dia fosse oficialmente reconhecido durou anos. A motivação de Jarvis veio de uma oração que sua mãe lhe mostrou certa vez.
“Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que elas prestam à humanidade em todas as áreas da vida”, dizia a oração.
Anna Jarvis começou sua campanha para reservar um dia especial para as mães enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e outras pessoas importantes.
Alguns políticos zombaram de seus esforços, dizendo que, se o Dia das Mães fosse oficializado, eles também teriam que instituir o “Dia da Sogra”.
Em 1911, no entanto, todos os estados da União reconheceram o feriado e, três anos depois, foi oficialmente adotado que o segundo domingo de maio seria comemorado com um feriado em homenagem às mães.
O desejo de Jarvis havia sido atendido e ela finalmente podia se orgulhar de ter sido a “mãe” do Dia das Mães.
No entanto, pouco depois, ele percebeu que havia “criado um monstro”. A data comemorativa tornou-se um excelente pretexto para os comerciantes, que aproveitaram a oportunidade para estimular a compra de presentes.
Atividade comercial
A data tornou-se o tema principal das campanhas publicitárias no início de maio e ganhou considerável apoio nas indústrias de flores e cartões.
A história por trás do Dia das Mães — a luta de Jarvis para homenagear o trabalho de sua própria mãe e de outras mulheres — era o roteiro perfeito para impulsionar ainda mais as vendas.
No entanto, a mulher mais responsável pela data comemorativa não gostou da direção comercial que ela havia tomado, então decidiu boicotá-la.
A ativista que outrora lutara pela criação do dia agora se mobilizava para eliminá-lo.
“Jarvis considerava o Dia das Mães sua ‘propriedade intelectual e legal’, não parte do domínio público”, escreveu Katharine Lane Antolini, autora de A Comemoração da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães.
“Ela aspirava que este dia fosse um ‘dia sagrado’ que homenageasse a mãe que colocava as necessidades de seus filhos acima das suas próprias”, acrescentou Antolini.
“Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros, como aconteceu com alguns outros feriados no início do século XX.”
De acordo com a pesquisa de Antolini, Anna Jarvis criticava os comerciantes que “se aproveitavam” do evento, chamando-os de “violadores de direitos autorais, vândalos comerciais e aproveitadores descarados”.
Ela chegou a protestar contra floriculturas, que aumentaram seus preços em maio, e ameaçou processar muitas empresas que lucraram com a celebração.
Ela também criticou a enorme indústria de cartões impressos que surgiu em torno da data, argumentando que a maneira de demonstrar apreço e homenagear as mães deveria ser por meio de cartas pessoais, escritas à mão.
Antolini escreve que algumas organizações tentaram alinhar o significado do feriado com a mudança na percepção da maternidade no século XX, combinando o aspecto doméstico com o impacto das mães na comunidade.
Antes de morrer em 1948, consumida por dívidas e depressão, Jarvis confessou a um jornalista: “Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães.”
A data no Brasil
No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932, com um decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954).
“O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana”, diz a determinação.
Mas a consolidação da data veio mesmo na época do regime militar de 1964 a 1985.
“Copiava-se tudo dos Estados Unidos e houve, durante a ditadura, uma valorização enorme da família e das mães, em particular”, diz a historiadora Mary Del Priore, autora de História das Mulheres no Brasil.
“A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concurso, valorizado e que ganhava capas de revista”, lembra. Com informações da BBC
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