Uma investigação jornalística coordenada pelo portal espanhol Diario Red e pelo consórcio Hondurasgate expôs um sofisticado esquema de ingerência digital na América Latina.
No centro da trama está o presidente argentino Javier Milei, apontado como um dos principais financiadores de uma “célula de comunicação” operada nos Estados Unidos.
O articulador do plano é Juan Orlando Hernández (JOH), ex-presidente de Honduras. JOH, que havia sido condenado a 45 anos de prisão por narcotráfico em Nova York, foi indultado por Donald Trump. Em troca, ele teria assumido o papel de “capataz” regional para desestabilizar governos que não se alinham à agenda MAGA (Make America Great Again).
De acordo com mais de 300 áudios filtrados de aplicativos como WhatsApp e Telegram, Javier Milei teria transferido aproximadamente 350 mil dólares para a criação de uma unidade de jornalismo digital sediada em solo americano.
O objetivo principal é a criação e disseminação de fake news contra Gustavo Petro (presidente da Colômbia), alvo constante da retórica agressiva de Milei; Claudia Sheinbaum (presidenta do México), sucessora de López Obrador, vista como uma barreira aos interesses da direita radical na América do Norte; a família Zelaya (Honduras), para pavimentar o retorno de JOH ao poder.
Em uma das gravações, Hernández vangloria-se de sua relação com o mandatário argentino: “Estive em uma chamada com Javier Milei e foi exitosa. Podemos fazer coisas grandes para toda a América Latina. Ele está apoiando com 350 mil dólares.”
Trata-se de uma espécie de “Plano Condor” digital. A investigação aponta que a escolha dos Estados Unidos como sede para essa “célula informativa” não é acidental; o objetivo é garantir anonimato e dificultar o rastreamento jurídico nos países afetados. Trump teria o interesse de transformar Honduras em uma base logística e militar, além de um porto seguro para empresas de Inteligência Artificial de aliados estratégicos.
Daniela Pastrana, diretora do Diario Red América Latina, afirmou ao jornal argentino Página/12 que os áudios passaram por perícias exaustivas. Para ela, o que se vê hoje é uma versão moderna do Plano Condor.
“A diferença é que agora não precisamos esperar 40 anos para que a CIA desclassifique arquivos. Estamos vendo a operação acontecer em tempo real, através de nossas telas.”
Enquanto Juan Orlando Hernández apressou-se em negar a veracidade dos áudios, mas a equipe de investigação sustenta que os fatos políticos ocorridos logo após as gravações confirmam a cronologia do plano.
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