O que se sabe sobre a sociedade secreta do bilionário Peter Thiel, e quem faz parte dela

O que se sabe sobre a sociedade secreta do bilionário Peter Thiel, e quem faz parte dela

Um vazamento de dados revelou detalhes inéditos sobre a Dialog, uma organização privada e altamente reservada criada em 2006 pelo bilionário da tecnologia Peter Thiel e pelo investidor Auren Hoffman. Segundo documentos obtidos pela revista Wired, a rede reúne centenas de empresários, políticos, militares, acadêmicos, diplomatas e figuras influentes dos Estados Unidos e de outros países em encontros fechados, longe dos holofotes.

A existência do diretório foi revelada inicialmente pela hacktivista suíça Maia Arson Crimew. Conhecida por expor a lista secreta de pessoas impedidas de voar nos Estados Unidos e por invadir os sistemas da empresa de vigilância Verkada, Crimew afirmou à Wired que chegou aos arquivos após receber uma denúncia anônima. A publicação informou que verificou de forma independente a autenticidade do material encontrado.

A Dialog se define como um espaço para a construção de relacionamentos entre líderes de diferentes áreas e posições ideológicas. Os membros são convidados para retiros anuais realizados em hotéis de luxo, como unidades da rede Ritz-Carlton no Arizona e na Califórnia, além do San Clemente Palace, em Veneza. Nesses encontros, os convidados participam de debates sob a regra de confidencialidade total: nada do que é dito pode ser divulgado publicamente.

A lista impressiona pelo alcance e pela diversidade de áreas representadas. Entre os nomes está o general Alexus Grynkewich, uma das mais altas autoridades militares do Ocidente. Também aparece o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, responsável pela política econômica do governo Trump.

Outro integrante é Dan Driscoll. A lista ainda inclui Hallie Hoffman, agência federal americana de combate ao tráfico de drogas.

No Congresso americano, figuram tanto republicanos quanto democratas. Entre eles estão o senador republicano Ted Cruz, um dos principais aliados de Trump, e o senador democrata Cory Booker, que disputou a indicação presidencial do partido em 2020. Também aparece o deputado democrata Jim Himes.

A Dialog reúne ainda governadores em exercício, como Wes Moore, ex-militar e uma das principais lideranças emergentes do Partido Democrata, e Jared Polis, empresário do setor de tecnologia que se tornou um dos governadores mais conhecidos dos Estados Unidos.

A presença de executivos da indústria tecnológica é um dos pontos centrais da organização. Entre os participantes está Tom Lue, divisão de inteligência artificial do Google. Também aparece Neal Mohan, responsável pela maior plataforma de vídeos do mundo, e Jonathan Greenblatt, uma das organizações mais influentes dos Estados Unidos no combate ao antissemitismo, além de Peter Goettler, um dos mais conhecidos centros de pesquisa de orientação liberal-conservadora do país.

No campo acadêmico, aparecem Roger Myerson, premiado em 2007 por suas contribuições à teoria dos jogos, e Randy Kroszner, o banco central americano.

Também fazem parte da rede figuras conhecidas do jornalismo e da cultur, como o comentarista político Ezra Klein, a repórter do Washington Post Souad Mekhennet, o ator Joseph Gordon-Levitt, a atriz Sophia Bush e o influente pastor evangélico Rick Warren.

Um dos nomes mais conhecidos entre os participantes é Jared Kushner, genro de Donald Trump e peça central da política externa do primeiro mandato do republicano.

O vazamento também identificou uma série de bilionários ligados ao setor financeiro e tecnológico. O mais famoso deles é Elon Musk. Também aparecem Eric Schmidt, Henry Kravis, um dos maiores nomes do mercado de private equity, e Marcos Galperin, maior empresa de comércio eletrônico da América Latina.

Outros bilionários citados são Mike Cannon-Brookes, Scott Cook, Barry Sternlicht, Nicolas Berggruen, John Arnold, Joe Lonsdale e Reid Hoffman.

Um detalhe inusitado revelado pelos documentos é a existência de um site paralelo chamado Dating Dialog. A plataforma funciona como um serviço de relacionamentos exclusivo para membros da organização. No cadastro, os participantes informam se estão “procurando amor”, e a promessa é criar “conexões significativas para pessoas excepcionais”.

A Dialog mantém presença quase inexistente na internet, e seus integrantes raramente falam publicamente sobre a iniciativa. Ainda assim, alguns rastros já haviam surgido. Em 2024, o Axios revelou que dirigentes discutiam a compra de um campus próprio nos arredores de Washington.

Convites para eventos da organização também apareceram nos documentos ligados ao financista Jeffrey Epstein. Em um dos casos, a física de Harvard Lisa Randall encaminhou a Epstein um convite para um encontro da Dialog perguntando se valia a pena participar. A resposta foi curta: “Sundance é legal. Vá”.

Uma fonte forneceu à revista Wired a lista de inscritos para o retiro da Dialog em 2026. O documento reúne 222 pessoas e registra o que a organização descreve como o status de cada uma dentro da rede, com categorias como “membro ativo” e “convidado”. O encontro está programado para ocorrer entre os dias 12 e 16 de agosto em um local próximo a Dublin, na Irlanda.

Os registros também detalham a programação de painéis reservados, realizados sob regras de confidencialidade. Entre os temas previstos estão “Dinheiro compra felicidade?”, “Tragam de volta a energia nuclear”, “Navegando pela Terceira Guerra Mundial”, “Tecnologias de campo de batalha” e “Como anda sua vida sexual?”.

A agenda inclui ainda mesas com títulos incomuns, como “Construa uma seita”, mediado pelo fundador da plataforma cristã Pray.com, e “Construa um partido”, conduzido por um ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

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