Durante a forte onda de calor que atingiu o país no fim de junho, cientistas registraram um comportamento incomum em algumas áreas florestais. Em vez de absorver carbono, como ocorre normalmente, determinadas florestas liberaram mais CO₂ do que conseguiram capturar.
Segundo o agroclimatologista Serge Zaka, as altas temperaturas afetam diretamente esse mecanismo. Quando o calor se torna excessivo, as folhas sofrem danos e a atividade fotossintética diminui. Com isso, as árvores passam a absorver menos carbono e a produzir menos oxigênio. Ao mesmo tempo, continuam realizando sua respiração natural, processo que libera CO₂ para a atmosfera. O resultado é um desequilíbrio temporário entre a captura e a emissão de carbono.
Morte de árvores amplia risco climático
Uma das consequências mais preocupantes é o aumento da mortalidade de árvores submetidas a períodos prolongados de calor e falta de água. Quando uma árvore morre, sua capacidade de absorver carbono desaparece. Além disso, a decomposição da madeira passa a liberar CO₂ por meio da ação de fungos e outros microrganismos.
Esse processo agrava ainda mais o balanço de carbono das florestas e reduz sua contribuição para a regulação do clima. Segundo Zaka, sinais desse fenômeno já aparecem em partes do nordeste da França e, de forma mais pronunciada, em regiões da Europa Central. Há áreas florestais que começam a registrar, no conjunto do ano, emissões de carbono superiores à quantidade absorvida.
Para os cientistas, trata-se de um círculo vicioso particularmente preocupante: o aquecimento enfraquece as florestas, as florestas absorvem menos carbono e esse excesso de carbono na atmosfera contribui para intensificar o aquecimento. Com informações do RFI