Aquecimento global: ondas de calor comprometem o papel das florestas na retirada de CO2 da atmosfera

Aquecimento global: ondas de calor comprometem o papel das florestas na retirada de CO2 da atmosfera

A França enfrenta nesta semana sua quarta onda de calor em apenas dois meses, um cenário que amplia as preocupações sobre os efeitos das temperaturas extremas não apenas para a população, mas também para os ecossistemas. Entre os impactos observados por pesquisadores está a perda temporária de uma das funções mais importantes das florestas: retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

Durante a forte onda de calor que atingiu o país no fim de junho, cientistas registraram um comportamento incomum em algumas áreas florestais. Em vez de absorver carbono, como ocorre normalmente, determinadas florestas liberaram mais CO₂  do que conseguiram capturar.

A situação chama atenção porque as florestas desempenham papel central no equilíbrio climático. Por meio da fotossíntese, as árvores absorvem dióxido de carbono e produzem oxigênio. Esse processo ajuda a reduzir a concentração de gases responsáveis pelo aquecimento do planeta e é um dos motivos pelos quais a preservação de áreas florestais é considerada estratégica no combate às mudanças climáticas.

Segundo o agroclimatologista Serge Zaka, as altas temperaturas afetam diretamente esse mecanismo. Quando o calor se torna excessivo, as folhas sofrem danos e a atividade fotossintética diminui. Com isso, as árvores passam a absorver menos carbono e a produzir menos oxigênio. Ao mesmo tempo, continuam realizando sua respiração natural, processo que libera CO₂ para a atmosfera. O resultado é um desequilíbrio temporário entre a captura e a emissão de carbono.

Morte de árvores amplia risco climático

Uma das consequências mais preocupantes é o aumento da mortalidade de árvores submetidas a períodos prolongados de calor e falta de água. Quando uma árvore morre, sua capacidade de absorver carbono desaparece. Além disso, a decomposição da madeira passa a liberar CO₂ por meio da ação de fungos e outros microrganismos.

Esse processo agrava ainda mais o balanço de carbono das florestas e reduz sua contribuição para a regulação do clima.  Segundo Zaka, sinais desse fenômeno já aparecem em partes do nordeste da França e, de forma mais pronunciada, em regiões da Europa Central. Há áreas florestais que começam a registrar, no conjunto do ano, emissões de carbono superiores à quantidade absorvida.

Para os cientistas, trata-se de um círculo vicioso particularmente preocupante: o aquecimento enfraquece as florestas, as florestas absorvem menos carbono e esse excesso de carbono na atmosfera contribui para intensificar o aquecimento. Com informações do RFI

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