O Brasil aparece entre os países com maior número de combatentes estrangeiros mortos na guerra da Ucrânia, segundo contagens não oficiais baseadas em anúncios públicos de mortes e desaparecimentos. O levantamento coloca os brasileiros na terceira posição, atrás de Estados Unidos e Colômbia, com mais de 100 mortes registradas.
O Itamaraty confirmou 35 brasileiros mortos e 92 desaparecidos no conflito enquanto lutavam a serviço da Ucrânia. Os dados oficiais não equivalem à estimativa de mais de 100 mortes, mas indicam que o total de brasileiros desaparecidos e mortos mais que dobrou desde dezembro do ano passado.
Entre os casos recentes está o de Edi Soares de Souza, morto em combates na região de Zaporíjia. Imagens do funeral dele circularam nas redes sociais, em meio à ampliação dos relatos sobre brasileiros alistados nas forças ucranianas.
O português se tornou comum em áreas sob controle militar ucraniano. Uma companhia formada majoritariamente por falantes do idioma e liderada por brasileiros integra esse cenário, enquanto canais oficiais de recrutamento de estrangeiros da Ucrânia divulgam convites em português nas redes sociais.
Ucrânia muda contratos e oferece salário de até R$ 53 mil
O governo ucraniano reformulou contratos para atrair e manter combatentes estrangeiros. Os novos modelos exigem permanência mínima de seis meses e preveem facilidades migratórias, incluindo autorização para permanecer no país por um período após o fim do serviço militar.
A remuneração pode chegar ao equivalente a R$ 53 mil mensais, conforme a função e a proximidade da linha de frente. O ministro da Defesa da Ucrânia afirmou, após a mudança, que o país passaria a ter a infantaria e as tropas de assalto mais bem pagas do mundo.
Veteranos brasileiros contestam a imagem de enriquecimento associada aos salários. Anderson Quadros, que atua na Ucrânia ao lado do brasileiro Giovanni Paese, afirmou: “Eu desconheço um soldado que ficou rico aqui”. Paese vive no país há quatro anos e hoje trabalha com drones, após ter ingressado no esforço de guerra.
Rodrigo Lopes e Naiano Gonçalves, brasileiros que passaram 11 meses em combate e se preparavam para voltar ao Brasil, relataram longos períodos em trincheiras e posições improvisadas sob bombardeios. Gonçalves resumiu a experiência com uma frase que ouviu sobre uma brigada:“joga cem no front e volta dez”.
Além do risco de morte nos combates, familiares enfrentam obstáculos para acessar indenizações, que podem se aproximar de R$ 2 milhões em determinadas situações. A liberação costuma depender da localização do corpo ou de processos judiciais para o reconhecimento formal do óbito, que podem durar anos.
O brasileiro Bruno Gabriel Leal da Silva, de 23 anos, morreu em dezembro de 2025 dentro de uma base militar ucraniana. A Procuradoria Militar da Ucrânia informou que a Polícia Nacional em Kiev investiga o caso para apurar indícios de homicídio culposo por negligência; ninguém havia sido formalmente acusado.
A Rússia classifica estrangeiros que combatem pela Ucrânia como mercenários e sustenta que eles não teriam as proteções destinadas a prisioneiros de guerra pela Convenção de Genebra. Kiev rejeita a interpretação e afirma que integrantes da Legião Internacional assinam contratos oficiais, entram na estrutura militar do país e recebem os mesmos direitos, deveres e pagamentos dos soldados ucranianos.
O Brasil não aderiu à Convenção da ONU contra mercenários e não possui legislação específica sobre a participação de cidadãos em conflitos armados estrangeiros sob essa classificação. O Itamaraty voltou a recomendar que brasileiros evitem qualquer envolvimento com forças armadas de outros países e alertou que a assistência consular em zonas de guerra pode ser severamente limitada. Com informações do DCM
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