Brasil em risco: governo Trump carimba PCC como o maior organização criminosa do ocidente

Brasil em risco: governo Trump carimba PCC como o maior organização criminosa do ocidente

No documento os EUA admitem ações militares quando considerar que seus interesses não estão sendo atendidos

O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental” em documento divulgado na quarta-feira (1º) pelo Departamento do Tesouro estadunidense. A declaração foi feita no mesmo comunicado em que Washington anunciou sanções contra dois brasileiros e três empresas brasileiras acusadas de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção.

“O PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente”, diz o comunicado.

A medida é a primeira rodada de sanções desde maio, quando o governo Trump classificou o PCC como organização terrorista. A citação ao “Hemisfério Ocidental” reforça a nova orientação da Casa Branca para a América Latina, tratada como área central da política externa e de segurança dos Estados Unidos.

Em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou a nova “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, com o objetivo de assegurar dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”. Segundo o G1, o documento afirma que Washington está disposto a colaborar com países do continente, mas também admite ações militares quando considerar que seus interesses não estão sendo atendidos.

A estratégia usa como referência a operação que sequestrou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de comandar o Cartel de los Soles, também classificado como terrorista. O texto afirma que os Estados Unidos buscarão “paz por meio da força”, lema adotado por Trump em seu segundo mandato.

A desculpa de combate ao chamado “narcoterrorismo” aparece como eixo central da nova política.

O governo estadunidense diz reservar o direito de realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas.

A ofensiva inclui ainda combate à imigração ilegal, controle de rotas marítimas, reforço de fronteiras e contenção da influência da China na região. Segundo  o DCM, em documento divulgado em dezembro de 2024, a Casa Branca já havia indicado que passaria a reajustar sua presença militar em outros países para enfrentar “ameaças urgentes” no Hemisfério Ocidental.

A estratégia também fala em “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com uma “retomada poderosa” da influência dos EUA sobre a região. Criada pelo presidente estadunidense James Monroe, a doutrina ficou conhecida pela ideia de “a América para os americanos” e pela oposição à intervenção de potências externas no continente.

O PCC e o Comando Vermelho entraram formalmente no radar estadunidense em maio, quando foram classificados como organizações terroristas. Na ocasião, Washington afirmou que as facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”, que “comandam milhares de integrantes” e que são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.

O secretário Marco Rubio disse então: “O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”. O governo brasileiro tentou evitar a medida, e Lula criticou a decisão, afirmando que o Brasil não aceitava ser “tratado como moleque”.

No Palácio do Planalto, a avaliação é que a classificação abre margem para ações mais duras dos Estados Unidos. Em um cenário extremo, autoridades brasileiras temem que Washington use o enquadramento como justificativa para operações militares, como já ocorreu em outros países. Especialistas em segurança pública também apontam que a legislação brasileira contra facções prevê punições mais duras do que a lei antiterrorismo.

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