Aquecimento global: 4ª onda de calor castiga a Europa

Aquecimento global: 4ª onda de calor castiga a Europa

Temperaturas que podem superar 40°C, incêndios florestais e redução no nível de rios que afetam energia, transporte e agricultura, este é o cenário da Europa. Espanha, Portugal e França concentram os extremos no início da semana, enquanto a massa de ar quente deve avançar para o centro e o leste do continente.

O sul da Espanha pode alcançar 42°C ou mais. Portugal colocou áreas do centro, norte e sul sob risco elevado de incêndios, e regiões do oeste da França podem chegar a 40°C antes de o calor se deslocar. No sudeste da Inglaterra, as previsões apontam máximas próximas de 35°C, valor incomum para o país.

Uma área persistente de alta pressão dificulta a chegada de frentes frias, reduz a formação de nuvens e mantém o céu aberto por vários dias. Ventos também levam ar quente do Norte da África para o continente, enquanto a falta de chuva seca o solo e aumenta o aquecimento da superfície.

O secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, Simon Stiell, associou a sequência de eventos à crise climática. “A onda de calor brutal na Europa carrega as marcas da crise climática por toda parte – é o preço mais recente a pagar pela poluição dos combustíveis fósseis que assola nosso planeta”, afirmou.

Vegetação seca amplia incêndios e ameaça regiões europeias

O calor não inicia sozinho todos os incêndios, que também podem surgir de acidentes, ação humana ou falhas em redes elétricas. Mas temperaturas altas e pouca chuva retiram a umidade de folhas, galhos e pastagens, transformando a vegetação em combustível para a rápida propagação das chamas.

França, Espanha e Portugal registram áreas sob risco elevado ou máximo de fogo. Na Escócia, centenas de bombeiros, funcionários e voluntários atuaram em um incêndio próximo ao Parque Nacional de Cairngorms. Na Grécia, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou que o país teria “dias difíceis pela frente” por causa do calor, do vento e da vegetação seca.

As temperaturas prolongadas também agravam riscos à saúde, sobretudo para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores ao ar livre e moradores de residências pouco ventiladas. O diretor regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Hans Kluge, defendeu que governos preparem os sistemas de saúde antes dos períodos mais críticos de calor.

Rios e reservatórios com menor vazão reduzem a geração hidrelétrica e podem limitar a operação de usinas que dependem de água para resfriamento. O Danúbio já enfrenta impactos na navegação, no turismo e na produção de energia na Hungria e na Romênia, enquanto os níveis mais baixos do Reno afetam o transporte de cargas entre Suíça, Alemanha e Holanda. Com informações do DCM

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