Nunes usou servidores, vacinas, equipamentos e outros recursos públicos em um estabelecimento privado e com acesso restrito, diz denúncia ao MP
A deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) apresentou nesta quarta-feira (12), uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O objetivo é pedir investigação sobre uma ação de vacinação contra o sarampo realizada pela Prefeitura de São Paulo no hotel Renaissance, na região central da capital.
Segundo a parlamentar, a campanha utilizou servidores, vacinas, equipamentos e outros recursos públicos em um estabelecimento privado e com acesso restrito. No documento enviado ao Ministério Público, Ediane pede esclarecimentos sobre os critérios adotados pela administração municipal para realizar a vacinação no local.
“Eu quero saber o porquê dessa prestação de serviço público dentro de um hotel de luxo. Ricardo Nunes está desviando recursos públicos e servidores para fazer uma função privada em um local que barra o acesso do povo que está em busca de vacinação”, afirmou a deputada.
A ação ocorre em meio ao aumento da procura pela vacina contra o sarampo na capital. O estado de São Paulo contabiliza 23 casos da doença e está sob risco de um novo surto. O sarampo havia sido considerado eliminado do país, mas voltou a registrar circulação nos últimos anos.
Ação seria destinada a funcionários
O Renaissance havia sido incluído pela Prefeitura de São Paulo na lista de locais de intensificação da campanha de vacinação. A relação oficial informava endereço, data e horário da ação, mas não indicava que o atendimento seria restrito aos funcionários do hotel.
Após questionamentos, a Prefeitura alterou o documento e retirou o Renaissance e outros hotéis da relação de postos extramuros.
A assessoria de imprensa do Renaissance confirmou que a vacinação realizada no estabelecimento era destinada exclusivamente aos funcionários.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que as ações em hotéis fazem parte da estratégia de vacinação extramuros contra o sarampo e são direcionadas aos profissionais do setor hoteleiro.
Segundo a pasta, esses trabalhadores teriam maior exposição devido à circulação e ao atendimento de pessoas de diferentes localidades, inclusive em razão dos fluxos migratórios.
A secretaria, porém, não havia informado inicialmente na divulgação pública que a vacinação no Renaissance seria exclusiva para funcionários.
Alta procura nas UBSs
Enquanto a Prefeitura promove ações extramuros, unidades básicas de saúde da capital registram aumento na procura pela vacina contra o sarampo. Na semana passada, foram encontradas filas em UBSs das regiões central, leste, norte e oeste da cidade, com tempos de espera entre 15 minutos e duas horas.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível nos postos do SUS para pessoas entre 6 meses e 59 anos, conforme os critérios de vacinação estabelecidos pelas autoridades de saúde.
A Prefeitura também anunciou ações em locais de grande circulação, como estações do Metrô, supermercados, padarias, academias e shopping centers.
De acordo com a administração municipal, a estratégia extramuros busca identificar pessoas com esquemas vacinais incompletos e ampliar a vacinação de indivíduos suscetíveis.
Em seu site, a Secretaria Municipal da Saúde afirma que as UBSs utilizam os registros dos sistemas de informação de imunização para identificar pessoas com doses atrasadas e realizar a busca ativa em diferentes regiões da cidade.
A representação apresentada por Ediane Maria agora deverá ser analisada pelo Ministério Público, que poderá decidir se há elementos para abrir uma investigação sobre a utilização de recursos públicos na ação realizada no hotel. As informações são da Fórum
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