Extrema direita, estúpido: cidades com mais feminicídios no interior de SP não têm Delegacia da Mulher

Extrema direita, estúpido: cidades com mais feminicídios no interior de SP não têm Delegacia da Mulher

Efeito Tarcísio de Freitas: 3 municípios do interior que lideram ranking de assassinatos de mulheres por questão de gênero não possuem o equipamento, em demonstração de desamparo do governo paulista

As três cidades do interior de São Paulo com mais feminicídios nos últimos dois anos e meio não possuem Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Levantamento com dados do SP Vida identificou que Santa Cruz das Palmeiras, Aguaí e Boa Esperança do Sul, todas na região de Araraquara e São Carlos, lideram as ocorrências do período sem contar com o equipamento especializado de proteção às mulheres, expondo uma lacuna concreta na rede de atendimento do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As três têm populações abaixo de 35 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE: Santa Cruz das Palmeiras conta com 28.864 habitantes, Aguaí com 32.072 e Boa Esperança do Sul com 12.978.

O tamanho reduzido da população não impediu que essas cidades acumulassem o maior número de casos de feminicídio da região no período. A ausência de uma DDM significa que mulheres em situação de violência precisam buscar atendimento em delegacias comuns, sem a estrutura especializada prevista para acolher esse tipo de ocorrência.

Dados e estatísticas da violência

A região de Araraquara e São Carlos registrou 36 feminicídios entre 2024 e o primeiro semestre deste ano. Santa Cruz das Palmeiras sozinha respondeu por 7 casos, o equivalente a 20% de todas as ocorrências regionais no período. Aguaí e Boa Esperança do Sul aparecem logo em seguida, com 4 registros cada.

O contraste com cidades maiores da mesma região é revelador. Araraquara, com 242.228 habitantes, Matão, com 79.033, e Rio Claro, com 201.418, registraram 3 casos cada. São Carlos, a maior cidade da região com 254.857 moradores, teve apenas 1 feminicídio no mesmo período.

Ou seja, municípios com população até vinte vezes maior apresentaram índices iguais ou inferiores aos das cidades sem DDM, o que torna ainda mais difícil sustentar que o porte populacional justifica a ausência do serviço especializado.

Alegações da Secretaria de Segurança Pública

Em nota protocolar, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo estadual, citando a criação da Secretaria de Políticas para a Mulher em 2023.

A pasta informou que, em três anos, ampliou em 54% o número de espaços policiais para atendimento a mulheres, totalizando 142 DDMs e 173 salas DDM 24h no estado, além de lançar o aplicativo SP Mulher Segura.

A SSP-SP também registrou crescimento de 17,5% nas medidas protetivas e de 12,5% nos boletins de ocorrência nas DDMs em 2025, em comparação ao ano anterior, e aumento de 53% nos abrigos de acolhimento às vítimas.

Os números, porém, descrevem uma expansão que não alcançou as cidades com maior concentração de feminicídios na região. A SSP-SP não revelou se há estudos para a implementação de DDMs em municípios pequenos com crescimento nos casos. As informações são da Fórum

Veja também

Simón Bolívar: o Libertador que sonhou com uma América Latina unida

Simón Bolívar: o Libertador que sonhou com uma América Latina unida

Nascido em 24 de julho de 1783, Bolívar liderou as guerras de independência contra o …

Powered by atecplugins.com