Foi nesse contexto que os humoristas da Casseta Popular tiveram uma ideia inusitada: lançar a candidatura de Tião à Prefeitura do Rio como uma forma de sátira política.
Em outubro, organizaram um evento em frente à jaula do chimpanzé. Inventaram a história de que o animal, sempre tentando fugir, seria, na verdade, um preso político.
O evento, condenado pela direção do zoológico, foi parar nas capas dos jornais e virou uma sensação no Rio. Tião recebeu santinhos, um jingle e diversos slogans, como “Tudo pela evolução. Para presidente, macaco Tião!”. Houve até um show em apoio à candidatura, realizado no Circo Voador, com apresentações gratuitas de artistas como Ultraje a Rigor e Lenine.
A campanha ganhou uma proporção imensa, e pessoas efetivamente votaram no animal. Como ele não era candidato registrado, todos esses votos foram anulados, mas as estimativas indicam que Tião recebeu cerca de 400 mil votos.
No fim, Marcello Alencar foi eleito prefeito do Rio de Janeiro e Tião ocupou a posição de terceiro nome mais votado da eleição, que reuniu 12 candidatos.
O chimpanzé entrou para o Guinness World Records como o chimpanzé mais votado do mundo.
Tião morreu em 1996, devido a um coma diabético. Sua morte levou a Prefeitura do Rio a decretar alguns dias de luto oficial. Hoje, o chimpanzé é homenageado com uma estátua em tamanho real no zoológico, enquanto seu esqueleto está preservado no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. Com informações da Superinteressante