Parecia que Trump havia se esquecido da Groenlândia, mas seus aliados continuam perseverando na ideia de se apropriar de seu território de uma forma ou de outra
A empresa em questão é a Greenland Energy, que, segundo o The Guardian, desafiou as autoridades locais da Groenlândia e o governo dinamarquês (que detém a soberania sobre a ilha) ao descarregar, sem permissão, equipamentos para iniciar a perfuração de poços de petróleo na tundra.
O projeto de instalação de poços de petróleo promovido pela Greenland Energy está causando sérias preocupações entre a população da Groenlândia com a preservação do meio ambiente e de seu modo de vida tradicional.
O jornal The New York Times explica, em um artigo assinado por Jeffrey Gettleman e Maya Tekel, que as áreas visadas pela empresa são habitadas pelo boi-almiscarado, cuja caça é de enorme importância para grandes segmentos da sociedade groenlandesa.
A Greenland Energy alardeou que em breve seria capaz de extrair petróleo, mas as autoridades, segundo o The Guardian, afirmaram que “o processo regulatório necessário não pode ser concluído e, portanto, as aprovações necessárias não podem ser obtidas antes do início planejado da perfuração”.
Segundo o The New York Times, a Groenlândia proibiu a extração de petróleo em seu território em 2021, mas a Greenland Energy possui uma licença obtida antes dessa proibição, o que coloca as autoridades em uma situação complexa.
Um dos principais promotores do projeto de extração de petróleo na Groenlândia é, segundo o The New York Times, o Dr. Phil McGraw, personalidade da televisão e um fervoroso apoiador de Trump. Ele colabora com a Greenland Energy para documentar um de seus projetos de exploração.
Jeff Landry, o governador conservador da Louisiana e enviado especial de Trump para Groenlândia, também está pressionando para que os Estados Unidos extraiam petróleo na enorme ilha.
Jeff Landry afirmou, inclusive, que os EUA estariam extraindo petróleo da Groenlândia em 10 meses.
No entanto, segundo o The New York Times, é bastante improvável que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas concedam à Greenland Energy uma licença de extração antes de 2028, pelo menos.
Por trás dessa operação de extração de petróleo está a ideia de Trump e de sua equipe de que a Groenlândia deveria estar em mãos estadunidenses.
Trump teve que abandonar a ideia de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos após a reação unânime da União Europeia, que se mostrou disposta a defender a integridade territorial da ilha. A Groenlândia é um território autônomo pertencente à Dinamarca.
O círculo de Trump, com o Dr. Phil e Jeff Landry à frente, quer que os Estados Unidos tenham acesso aos recursos naturais da Groenlândia, mesmo que ela não pertença aos Estados Unidos.
Na realidade, seria outra forma de colonialismo que o povo que vive na Groenlândia rejeita.
Naaja Nathanielsen, ex-ministra de Recursos Naturais da Groenlândia, disse ao The New York Times que não viu nenhum relatório com dados substanciais que apoiem o projeto Greenland Energy: “Acho que estão apenas vendendo fumaça.”
Segundo o The New York Times, a Chevron e a Shell queriam lançar projetos semelhantes anos atrás, mas acabaram desistindo.
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