Metido em tudo: denúncia de ex de Cerimedo diz que ele mantinha redes de desinformação em campanhas da extrema-direita na América Latina

Metido em tudo: denúncia de ex de Cerimedo diz que ele mantinha redes de desinformação em campanhas da extrema-direita na América Latina

 Fernando Cerimedo é aliado dos Bolsonaro, de Javier Milei e Rodrigo Paz

 A advogada Nadia Beller, ex-companheira do empresário e estrategista digital Fernando Cerimedo, fez um duro desabafo diretamente de seu leito hospitalar para denunciar o uso de redes cibernéticas de desinformação e da própria estrutura estatal para atacá-la e silenciá-la, informa a emissora argentina C5N. Cerimedo, que atuou como assessor do presidente argentino Javier Milei e mantém proximidade com a família Bolsonaro, além de conexões com o mandatário boliviano Rodrigo Paz, é apontado pelo sistema judiciário local como o principal articulador de um atentado a tiros contra a advogada, ocorrido na última segunda-feira (17) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Sob forte escolta policial na Clínica de las Américas, Beller  revelou que as táticas difamatórias e as operações de difusão de conteúdos falsos atualmente direcionadas contra ela replicam exatamente a mesma metodologia utilizada por Cerimedo em disputas eleitorais pela América Latina.

“Eu sei como funciona a campanha difamatória que ele conduziu em campanhas políticas, usando redes de robôs virtuais e influenciadores pagos. Agora ele tem o aparato estatal à sua disposição, inclusive usando funcionários públicos que recebem ordens, e eles estão usando toda essa estrutura contra mim”, declarou a advogada em entrevista concedida ao jornalista Nicolás Munafó.

A vítima trouxe à tona detalhes específicos sobre o funcionamento e a localização física dos centros operacionais dessas redes digitais no território boliviano. “Hoje fiquei sabendo que houve uma operação policial no centro de La Paz e encontraram uma pequena plantação de robôs virtuais. Há uma muito maior aqui em Santa Cruz, se não me engano, no prédio da Alas”, revelou.

Além do cerco virtual e político, Beller enfrenta uma delicada situação de saúde devido às consequências físicas do atentado. A advogada permanece internada com estilhaços de munição de chumbo alojados no peito, no braço e no ombro, o que gera apreensão sobre os impactos de uma possível contaminação para a gestação de seu filho.

Ao abordar as ramificações políticas de Cerimedo e a postura do presidente da Argentina, Javier Milei, a ex-companheira adotou tom cauteloso sobre o chefe de Estado argentino, mas expôs os relatos que ouvia de seu ex-parceiro nos bastidores. “Tenho grande respeito pelo presidente do seu país e não o comento. Não sei se ele está enganado, não sei se está preocupado, não sei se Fernando sabe tanto sobre ele a ponto de se sentir compelido a recorrer a um ato tão desprezível, mas não tenho nada a dizer sobre ele. O que mencionei, em resposta às perguntas da imprensa, foi o que Fernando me disse sobre ele; não é minha opinião que ele ou sua irmã sejam corruptos ou algo do tipo, estou simplesmente repetindo o que ele me disse”, afirmou.

Diante do avanço das investigações, Beller manifestou total desconfiança no trabalho desenvolvido pelas instituições policiais e judiciais bolivianas, denunciando manobras para fraudar a perícia nos dispositivos móveis do suspeito. A advogada fez um apelo público à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e exigiu garantias formais de proteção e transparência.

“Reitero meu pedido para que a CIDH me forneça as garantias que o caso exige, pois tenho todo um aparato estatal contra mim. Também solicitei o envio de observadores internacionais para supervisionar a análise dos telefones. Tenho certeza de que podem encontrar muito mais informações nesse celular, mas a duplicação está sendo tratada por policiais sob o comando dele.  Solicito a presença de observadores internacionais para garantir que isso seja feito da forma mais transparente possível”, alertou.

Para demonstrar a interferência direta de Cerimedo junto às autoridades, Beller relatou os privilégios que o consultor usufruiu no momento de sua prisão, estendendo-se às tentativas de obstrução da justiça dentro do país. “Soube, por exemplo, que quando quiseram retirá-lo do avião, ele resistiu, e os funcionários da companhia aérea Estatal Boliviana de Aviação permitiram que ele permanecesse em seu assento apagando o que quisesse, enviando mensagens e fazendo ligações à vontade, quando a polícia poderia tê-lo algemado e retirado do avião. Ele continua a gozar de privilégios e a obstruir a justiça desde o momento da sua prisão. Também fiquei sabendo que há apelos ao Ministro do Interior para que ordene aos seus agentes da polícia que o libertem”, concluiu.

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