Multidão lota lançamento da campanha de Lula em São Bernardo

Multidão lota lançamento da campanha de Lula em São Bernardo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à campanha neste domingo (16.ago.2026), em um ato no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). O local, conhecido anteriormente como estádio da Vila Euclides, ficou marcado por ser palco da militância de Lula no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, enquanto sindicalista. Foi berço da grande greve dos trabalhadores do ABC, em 1979, além de ter sido fundamental para o surgimento do movimento político e sindical que deu origem à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e ao PT. A 1ª assembleia das greves contou com a participação de mais de 60 mil operários. A campanha também retomou o jingle Lula Lá.

O ato de lançamento reuniu caravanas de diversos lugares do Brasil com militantes petistas e movimentos sociais, além de partidos aliados e e o apoio da cantora Fafá de Belém, a exemplo dos comícios pelas Diretas Já (1983-1984).

Em 2026, Lula vem com o slogan  “O Brasil pronto pra mais”. De acordo com o Poder 360, o slogan é uma referência do PT e de Lula em relação ao que consideram realizações, a exemplo dos programas sociais criados pelo petista. Ao mesmo tempo, é uma sinalização para o que virá caso Lula obtenha um inédito 4º mandato.

Dentre as prioridades deste possível 4º mandato estão a defesa nacional, a exploração de terras-raras e o ensino em tempo integral.

O Brasil já teve 9 eleições presidenciais que permitiam 2 turnos. Um petista sempre ficou como 1º (5 vezes) ou 2º colocado (4 vezes), mas nunca houve uma vitória petista no 1º turno, informa o Poder 360.

Diretas Já

O Movimento Diretas Já, foi uma mobilização popular e política ocorrida entre 1983 e 1984 que exigia eleições diretas para presidente, tornando-se símbolo da redemocratização do Brasil, após duas décadas de regime militar.

Seu objetivo central era pressionar o Congresso Nacional para aprovar a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que previa a realização de eleições diretas para a presidência da República, porque durante todo a ditadura militar o povo não tinha direito de votar para presidente, era a chamada eleição indireta.

Ocorreu durante  os últimos anos da ditadura militar, instaurada em 1964. Regime, que havia se sustentado por meio da repressão política, censura e centralização do poder,

Contexto histórico

Quando os militares deram o golpe em 1964, era o Supremo Comando Revolucionário, que contava com os ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica, que realmente mandava no Brasil.

Foi o trio que criou o Ato Institucional nº 1, que cassou deputados e suspendeu os direitos políticos por 10 anos de todos que fossem contrários ao regime.

 Eles estipularam que no dia 11 de abril de 1964 seria escolhido de forma indireta o próximo Presidente do Brasil. O principal nome era Castelo Branco, que foi um dos maiores articuladores do golpe. E a eleição foi uma mera formalidade, pois quem conduzia o país era o trio e este já havia definido que Castelo Branco seria o Presidente e havia determinado a cassação de quem fosse contrário. E vale destacar que o voto era aberto e falado, mas o povo não podia votar.

Castelo Branco assume em 15 de abril de 1964 e deveria organizar eleições diretas em 1966. No entanto, isso mudou. Novos políticos de oposição foram cassados, chegando a 173 ao longo da Ditadura. Além disso, com o Ato Institucional 2, foi instituído o bipartidarismo.

De um lado estava a Arena e do outro o MDB, uma oposição que surgia frágil, pois todos opositores realmente ao regime já estavam cassados. 

Desta forma, o comando militar passava a indicar um candidato e o MDB, que era minoria no Congresso também indicava um. E os deputados votavam com mera formalidade, pois já sabiam o resultado.

Vale destacar que além das cassações, o Congresso foi fechado três vezes, sempre que os deputados dificultavam qualquer tipo de aprovação dos desejos dos militares.

O cenário só muda com a eleição de 1985. Por desejo dos militares, que ainda tinham maioria no Congresso com o partido PDS, a escolha para Presidente seguiu indireta. No entanto, desta vez, como na cúpula militar já havia acordo o fim do regime, Tancredo Neves vence a disputa para Presidente com 380 a 180 votos.

A década de 1980 foi marcada por alta inflação, desemprego, dívida externa crescente e queda do poder aquisitivo da população, associada ao terror da ditadura militar que introduziu a  tortura como  uma prática recorrente.  Inúmeros presos pelo governo após o golpe de 1964 denunciaram a violência que sofreram enquanto estiveram sob a custódia dos militares. Os presos eram espancados, recebiam choques elétricos, mulheres eram estupradas, entre outras inúmeras ações.

Tudo isso levou movimentos sociais, sindicatos, estudantes, intelectuais e partidos de oposição a intensificarem  a luta pela volta das liberdades democráticas. A sociedade ansiava por mudanças profundas, e a eleição direta para presidente se tornou o símbolo maior dessa transformação.

Objetivos do movimento Diretas Já:

• Garantir que o povo brasileiro tivesse o direito de escolher diretamente o presidente da República por meio do voto popular.

• Pressionar o Congresso Nacional a aprovar a emenda constitucional que estabelecia as eleições diretas para 1985.

• Mobilizar a sociedade em torno da redemocratização, incentivando a participação popular nos rumos do país.

• Enfraquecer a continuidade do regime militar, abrindo caminho para a restauração das instituições democráticas.

• Unir diferentes setores políticos, sociais e econômicos em um esforço coletivo pela ampliação das liberdades civis.

A Organização do movimento e as manifestações populares

O movimento foi organizado por uma frente ampla que envolvia partidos de oposição, como o PMDB, o PDT, o PT e o PSB, além de lideranças sindicais, artísticas e culturais. Entre os principais articuladores estavam figuras como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Lula, Tancredo Neves e Franco Montoro.

Grandes comícios foram realizados em várias capitais brasileiras, reunindo multidões em espaços públicos. Estima-se que alguns eventos tenham contado com a participação de mais de um milhão de pessoas, como em São Paulo, na Praça da Sé. As manifestações eram marcadas por discursos inflamados, palavras de ordem e forte presença popular, o que demonstrava a insatisfação geral com a continuidade do regime militar.

Desfecho e resultado

Apesar da intensa mobilização, a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada na Câmara dos Deputados em abril de 1984, pois não atingiu o número necessário de votos para sua aprovação. Essa derrota foi um duro golpe para o movimento, mas não significou o fim da luta pela redemocratização.

A pressão popular forçou a abertura política e resultou, em 1985, na eleição indireta de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, marcando a transição do regime militar para o civil. Embora não tenha alcançado seu objetivo imediato, o movimento Diretas Já foi fundamental para consolidar a participação popular e preparar o caminho para as eleições presidenciais diretas realizadas em 1989.

Última eleição indireta

Durante a ditadura, os cinco presidentes eram militares e foram eleitos indiretamente por meio do Colégio Eleitoral. Dessa forma cinco presidentes se sucederam sem o voto popular:

1-Marechal Humberto de Alencar Castello Branco (1964-1967)

Em seu governo, foi promulgada uma Constituição que, entre outras medidas, garantia maiores poderes ao presidente da República. Na área econômica, promoveu a entrada de capitais externos e o controle dos gastos públicos. Em novembro de 1965, publicou o Ato Institucional número 2, que tornou indiretas as eleições presidenciais e extinguiu os partidos políticos. Começava o período do bipartidarismo, ou seja, apenas dois partidos eram permitidos: Aliança Renovadora Nacional (Arena), governista, e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oposicionista. Castello Branco estudou na Escola de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos.

2-Marechal Arthur da Costa e Silva (1967-1969)

O 2º presidente militar eleito de forma indireta fez um  governo reconhecido como o período de endurecimento do regime militar, marcado pela supressão de direitos civis, pelo aumento da repressão política e pela promulgação do AI-5, considerado o instrumento mais autoritário e violento da ditadura militar brasileira.

 Enquanto Castelo Branco defendia uma institucionalização jurídica do regime, Costa e Silva representava setores mais nacionalistas e autoritários das Forças Armadas, conhecidos como “linha-dura”, que criticavam qualquer possibilidade de abertura política.

O governo Costa e Silva defendia a ideia de um Estado forte, centralizado e capaz de reprimir aquilo que o regime classificava como “subversão”. O discurso oficial associava a oposição política, os movimentos sociais e estudantis e os grupos de esquerda à ameaça comunista.  Como seu antecessor também teve ligações com os EUA. No início da década de 40, Costa e Silva foi estagiar nos Estados Unidos. 

3- General Emilio Garrastazu Médici (1969-1974)

O principal objetivo do governo Médici era consolidar o aparato repressivo do regime militar e suprimir qualquer forma de oposição. Para isso, a administração buscava controlar todos os aspectos da sociedade, incluindo a economia, a política e a mídia, a fim de manter o status quo e evitar mudanças significativas no cenário político. Seu governo ficou caracterizado pela perseguição violenta aos opositores da ditadura.

Foi no governo Médici que se espalhou a propaganda para enfatizar o êxito da economia e atacar a oposição com slogans como “Brasil: ame-o ou deixe-o”.

Em 1970, a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato no México, e o governo Médici usou a conquista futebolística como propaganda, exaltando o “Brasil grande”, lembram do Make America Great Again (EUA grande), de Trump? 

Médici manteve uma política autoritária, com a consolidação do AI-5; e a intensificação da censura à imprensa e da repressão à oposição política, com relatos de tortura, assassinatos e violações dos Direitos Humanos.

A ditadura militar havia instaurado um regime de exceção em 1964, justificando sua tomada de poder pela necessidade de conter a ameaça comunista e restaurar a ordem no país, conforme descrito no preâmbulo do Ato Institucional nº 1. Durante o governo Médici, o Brasil enfrentou os anos mais duros da repressão, sendo um período de grande turbulência política.

Durante o governo Médici, a censura à imprensa foi intensificada, com o regime controlando estritamente o que poderia ser divulgado. A censura afetou jornais, revistas, livros, músicas e programas de televisão, restringindo a liberdade de expressão e o acesso à informação. A repressão política atingiu seu auge, com a atuação de órgãos de segurança e inteligência que perseguiram, torturaram e executaram opositores políticos.

Esse período ficou marcado por relatos de violações dos Direitos Humanos.

Dois detalhes que precisam ser ressaltados: 1) na década de 30, Médici e sua esposa aderiram ao Integralismo, o fascismo brasileiro,  fazendo parte do núcleo de Bagé da Ação Integralista Brasileira. 2) Ele também atuou como adido militar nos Estados Unidos.

4-General Ernesto Geisel (1974-1979)

Frente aos antecessores, Geisel foi quase um seminarista, embora tenha sido representante da Linha Dura do exército brasileiro e o fato de em seu governo  89 pessoas terem morrido ou foram desaparecidos por motivos políticos,  autorizadas por Geisel, segundo a Comissão Nacional da Verdade. Juntamente com seu sucessor João Batista Figueiredo, entendiam que as execuções deveriam ser seletivas: ” apenas “subversivos perigosos” deveriam ser executados. Detalhe- Geisel Fez parte do grupo de militares castelistas que combateram a candidatura de Costa e Silva à presidência da República. Costa e Silva foi quem promulgou o terrível AI-5. Geisel foi um dos militares mais atuantes no planejamento do golpena sua execução e implementação da Ditadura Militar no Brasil. Ele era considerado um dos membros do “grupo da Sorbonne”, maneira como ficaram conhecidos os intelectuais da escola. Esse grupo foi de suma importância no planejamento e execução do Golpe de 1964.

Paralelo a isso, Geisel deu início ao processo de redemocratização do país mesmo com a oposição do grupo Linha Dura e extinguiu o AI-5,  fez um acordo nuclear com a Alemanha, reatou relações diplomáticas com a República Popular da China, fez acordos no exterior para a pesquisa e firmou convênios com o Iraque, Egito e Equador, procurou ampliar a presença brasileira na África e com os países  vizinhos da América Latina, evitando o alinhamento incondicional aos Estados Unidos.  Reconheceu de imediato os regimes socialistas de Portugal e Angola. Também  criou o Dataprev, Codevasf, Inamps- atual SUS, e crédito educativo -atual Fies, além de ter legalizado o divórcio e incentivado o uso do álcool combustível.

Ele também denunciou um acordo militar que existia desde 1952 entre o Brasil e os EUA, que estipulava o fornecimento de material estadunidense para o Exército brasileiro em troca de minerais estratégicos.

Em 1985, Geisel apoiou as eleições de Tancredo Neves, o primeiro civil eleito presidente após o golpe militar, ainda por votação indireta.

5-General João Batista Figueiredo (1979-1985)

João Figueiredo foi o último presidente militar do Brasil, o último da ditadura e sucedeu a Geisel na presidência e deu continuidade ao processo de abertura política, assinando a Lei de Anistia que possibilitou que exilados políticos retornassem para o Brasil, mas também garantiu o perdão aos crimes cometidos por militares, como torturas e assassinatos.

Em 15 de janeiro de 1985, o colégio eleitoral elegeu Tancredo Neves para a presidência e José Sarney para vice, candidatos do MDB e opositores da Ditadura. Tancredo faleceu antes da posse e, em 15 de março de 1985, Sarney assumiu encerrando a Ditadura Civil-Militar e o processo de abertura política iniciada por Geisel.

Foi no governo de Figueiredo que aconteceram as eleições estaduais diretas em 1982, com ampla vitória dos candidatos de oposição aos militares. No ano seguinte iniciaram os movimentos das Diretas Já.

Tancredo Neves foi o último presidente do Brasil eleito de forma indireta, e o primeiro civil eleito desde o golpe de 1964, encerrando assim um ciclo militar que durou 21 anos e foi marcado pelo autoritarismo e a violação dos direitos humanos.

Tancredo entretanto, não chegou a governar. Morreu pouco tempo depois da eleição e quem assumiu foi o vice- José Sarney que chegou a ser vice-líder do governo Jânio Quadros que renunciou ao mandato de presidente sendo sucedido por João Goulart (o Jango) que foi deposto pelo golpe militar de 64.

Curiosidade

O sobrenome Sarney tem origem que remete ao avô de José Ribamar, que trabalhava numa antiga companhia de energia elétrica no Maranhão. O diretor da companhia era um estadunidense, Mr Clay e o gerente era um inglês de nome Ney. Para chamar o gerente, o diretor usava o tratamento britânico Sir Ney, cuja pronúncia é Sâr Ney. O avô de José Ribamar gostou da sonoridade de Sir Ney (Sârney) e deu o nome de Sarney Araújo Costa ao filho.

José Sarney foi registrado como José Ribamar Ferreira de Araújo. Virou José Sarney em 1965 em homenagem ao pai, Sarney de Araújo Costa.

Depois disso o Sir Ney (Sarney) foi incorporado como sobrenome da família.

Presidente eleito pelo voto popular

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito pelo povo desde 1960, quando Jânio Quadros venceu a última eleição direta para presidente antes do início do Regime Militar. Em 1989, Collor derrotou  Lula (PT) , no segundo turno e o que se seguiu foi a desgraceira que se viu com roubo da poupança e tudo o mais, nos dois anos em que governou. Assumiu em 1990 e em 1992 renunciou para não ser cassado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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