Por que isso importa tanto? Porque revela, sem precisar de adjetivo, o que é esse universo da extrema direita que cerca o senador Flávio Bolsonaro. Não estou falando de discurso, de tuíte, de embate de Congresso. Estou falando de escolha profissional, de horas de trabalho dedicadas a evitar que um homem seja julgado por um júri popular pela morte de uma criança de 5 anos.
Tem gente que vai dizer que todo réu tem direito à defesa — e tem, isso é princípio básico do Estado de Direito, defendo isso para qualquer um. O problema não é o policial ter advogado. O problema é o que essa escolha específica revela sobre as prioridades e as alianças de quem hoje disputa a Presidência da República.
Porque não foi um advogado qualquer que pegou esse caso por acaso. Foi o senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato, que decidiu colocar seu nome, seu tempo e sua rede de contatos jurídicos a serviço de tirar da frente do júri popular o homem apontado como responsável pela morte de Ana Clara.
A eleição está entrando na reta final. Casos como esse não podem ficar embaixo do tapete. Ana Clara tinha 5 anos. A mídia não pode continuar fazendo um silêncio sepulcral sobre esse assunto. Ao fazer isso, se torna cúmplice da injustiça com a morte de Ana Clara.