Eles não podem voltar!

Eles não podem voltar!

Temos, sim, o deve de dizer, ainda que só mentalmente, sem verbalizar, sem gritar, sem discutir com ninguém: “Eles não podem voltar.  Eles não voltarão”

Votar para presidente neste domingo será mais que uma escolha entre direita e esquerda.  Será também mais que o exercício de uma afinidade afetiva, política ou mental. O que precisamos dizer com cada voto é que eles não podem voltar, trazendo de volta o pesadelo daqueles quatro anos. Eles não podem voltar!

Você pode não gostar de Lula, pode não concordar com tudo o que ele diz ou faz, pode estar cansado da Lulo-dependência, mas sabe que só com ele podemos impedir a volta da barbárie bolsonarista.

Eles não podem voltar!

No domingo, ao sair para votar, recorde as atrocidades feitas pelo pai, e que o filho,  se feito presidente, reeditaria com a força bruta de quem é apoiado pelo imperador norte-americano Donald Trump.

Neste domingo, dois tipos de brasileiros votarão em Flavio Bolsonaro. Os ricos e abastados que, mesmo sabendo o que ele representa para a democracia, a soberania e a paz interna,  querem vê-lo presidente para terem seus interesses contemplados. Mas nele devem também votar milhões de pessoas, pobres ou remediadas, que há anos são inocoludas pela mídia e outros equipamentos ideológicos com o vírus do antipetismo. Ou porque ouviram de seu pastor ou líder religioso que ele representa a esperança e a verdade.  São principalmente estes que deveriam se recordar, a caminho da seção eleitoral,  de todas as humilhações, vilipêndios e violências que sofremos durante o pesadelo.

Nestes últimos quatro anos da reconstrução possível com Lula, todos nós tratamos de “esquecer” as memórias do sofrimento. Fizemos o recalque, como diz a psicanálise, para podermos seguir em frente.  Esquecemos mas não “apagamos” estas memórias. O momento eleitoral nos pede para liberá-las para que possamos fazer a escolha.

Pensemos, primeiramente, nos 700 mil que morreram na pandemia, fazendo do Brasil o segundo país em número absoluto de perdas de vidas. Eles poderiam ter sido apenas 300 mil ou menos, se ele, o pai, nos tivesse garantido a imunização em tempo.Leia Aqui: O maior crime do Jair

 Ele nos oferecia a inútil cloroquina e dizia que a vacina nos faria virar jacarés ou desenvolver Aids.  Negacionista,  sabotou o distanciamento e estimulou o contato social propagador, tratando-nos como rebanho. “Não sou coveiro” é uma frase que nunca poderemos esquecer, juntamente com as imagens de centenas de caixões amontoados nos cemitérios. Quantos não viram seus entes queridos descer a uma cova coletiva envoltos apenas em sacos plásticos, privados de uma despedida digna?

 

Você pode não estar com ímpeto para votar em Lula, mas lembre-se de que a primeira medida do governo de Jair pai foi o fim do programa Mais Médicos e a expulsão dos abnegados profissionais cubanos que atendiam os brasileiros dos cafundós, onde nossos médicos se recusavam a trabalhar.

Lembre-se de que, em seguida, começaram a ser desmontadas ou debilitadas todas as políticas públicas que, nas últimas décadas, haviam mitigado a pobreza e a desigualdade. Em breve, veríamos os mais desvalidos comprando ossos para fazer um escaldado na falta de carne. Ou mesmo catando pelancas e vísceras nas lixeiras de restaurantes.

Eles não podem voltar!

As políticas ambientais, atacadas desde a campanha de 2018, foram logo relaxadas e os órgãos de fiscalização, como o Ibama, debilitados e demonizados. A proteção a grileiros, fazendeiros e garimpeiros garantiu o avanço do desmatamento no Cerrado e na Amazônia. Lá fora, o Brasil agora era vilão e não mais referência neste tema. Os indígenas também foram demonizadas e a questão de suas terras foi posta na alçada do Ministério da Agricultura, adversário das demarcações. Quando Lula tomou posse em 2023, recordemos, os Ianomâmis enfrentavam uma mortandade.

Eles não podem voltar!

Na primeira quinzena de seu governo, Jair Bolsonaro assinou decreto flexibilizando o uso e posse de armas no país: “Eu quero todo mundo armado”, disse antes de apelar para uma filosofia oca e barata: “povo armado jamais será escravizado”. O armamentismo dele tinha endereço certo: as milícias com as quais a família sempre teve relações estreitas. Mais de 1,3 milhão de novas armas entraram em circulação naquele período infeliz de nossa história.

Eles não podem voltar!

Você pode não gostar de Lula mas você sabe que, se eles voltarem, irão novamente  vilipendiar as instituições, atacar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral, falando em fraude para tentarem o golpe de Estado, como fizeram em 2022/2023.

Eles não podem voltar!

Eles não podem voltar para debochar da Justiça e da ciência, para rebaixar as políticas de educação e saúde, para asfixiar as universidades e atacar jornalistas, principalmente mulheres, e estigmatizar as minorias, os negros, os deficientes e os diferentes na orientação sexual.

O machismo, a homofobia e a misoginia que floresceram sob Bolsonaro deixaram como legado a epidemia de feminicídios (um a cada 5 horas e 25 minutos) e de assassinatos de pessoas LGBTQIA+ (uma a cada 34 horas).

O Brasil que, graças a Lula, agora é respeitado e ouvido pelo mundo,  voltaria a ser pária entre as nações. Novamente iriam desarticular o Itamaraty e perseguir a respeitada diplomacia brasileira com a adoção de uma política externa vira-latas, servil aos Estados Unidos.

“Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, pregava Boplsonaro, que enchia a boca com a palavra “pátria” mas batia continência para a bandeira americana. O filho Eduardo, que vive como nababo nos  Estados Unidos com o dinheiro que o ladrão Daniel Vorcaro destinou ao suposto filme Dark Horse,  já fala como chanceler do imaginado governo do irmão Flávio. Já ameaça os diplomatas (que teriam sabotado o governo do pai) com uma escaramuça e uma caça às bruxas.

Eles não podem voltar!

 Tendo negado a política e se fingido de antissistema, Bolsonaro pai comprou a maioria parlamentar do Centrão com o orçamento secreto e a farra das emendas, gerando o monstrengo do presidencialismo parlamentarizado que hoje complica a governabilidade.

Você pode não gostar de Lula. Você pode votar nele sem ímpeto ou entusiasmo. Você pode ser tentado a não votar em ninguém, mas sabe que, tendo vivido o pesadelo bolsonarista, não tem o direito de fazer isso.

Temos, sim, o deve de dizer, ainda que só mentalmente, sem verbalizar, sem gritar, sem discutir com ninguém: “Eles não podem voltar.  Eles não voltarão”.

Eles não podem voltar!

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