Temos, sim, o deve de dizer, ainda que só mentalmente, sem verbalizar, sem gritar, sem discutir com ninguém: “Eles não podem voltar. Eles não voltarão”
Votar para presidente neste domingo será mais que uma escolha entre direita e esquerda. Será também mais que o exercício de uma afinidade afetiva, política ou mental. O que precisamos dizer com cada voto é que eles não podem voltar, trazendo de volta o pesadelo daqueles quatro anos. 
Você pode não gostar de Lula, pode não concordar com tudo o que ele diz ou faz, pode estar cansado da Lulo-dependência, mas sabe que só com ele podemos impedir a volta da barbárie bolsonarista.

No domingo, ao sair para votar, recorde as atrocidades feitas pelo pai, e que o filho, se feito presidente, reeditaria com a força bruta de quem é apoiado pelo imperador norte-americano Donald Trump.
Neste domingo, dois tipos de brasileiros votarão em Flavio Bolsonaro. Os ricos e abastados que, mesmo sabendo o que ele representa para a democracia, a soberania e a paz interna, querem vê-lo presidente para terem seus interesses contemplados. Mas nele devem também votar milhões de pessoas, pobres ou remediadas, que há anos são inocoludas pela mídia e outros equipamentos ideológicos com o vírus do antipetismo. Ou porque ouviram de seu pastor ou líder religioso que ele representa a esperança e a verdade. São principalmente estes que deveriam se recordar, a caminho da seção eleitoral, de todas as humilhações, vilipêndios e violências que sofremos durante o pesadelo.
Nestes últimos quatro anos da reconstrução possível com Lula, todos nós tratamos de “esquecer” as memórias do sofrimento. Fizemos o recalque, como diz a psicanálise, para podermos seguir em frente. Esquecemos mas não “apagamos” estas memórias. O momento eleitoral nos pede para liberá-las para que possamos fazer a escolha.
Pensemos, primeiramente, nos 700 mil que morreram na pandemia, fazendo do Brasil o segundo país em número absoluto de perdas de vidas. Eles poderiam ter sido apenas 300 mil ou menos, se ele, o pai, nos tivesse garantido a imunização em tempo.Leia Aqui: O maior crime do Jair
Ele nos oferecia a inútil cloroquina e dizia que a vacina nos faria virar jacarés ou desenvolver Aids. Negacionista, sabotou o distanciamento e estimulou o contato social propagador, tratando-nos como rebanho. “Não sou coveiro” é uma frase que nunca poderemos esquecer, juntamente com as imagens de centenas de caixões amontoados nos cemitérios. Quantos não viram seus entes queridos descer a uma cova coletiva envoltos apenas em sacos plásticos, privados de uma despedida digna?
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