Brasil e Acre têm oportunidade rara de ampliar participação feminina no Senado

Brasil e Acre têm oportunidade rara de ampliar participação feminina no Senado

O Acre só tem uma candidatura feminina ao Senado- Mara Rocha (Republicanos)

Com 54 das 81 cadeiras em disputa neste domingo, eleição abre espaço para mudança significativa na composição da Casa; mulheres são 69 entre os candidatos registrados em 2026.

As eleições deste domingo (4) promoverão uma das maiores renovações possíveis no Senado Federal. Serão disputadas 54 das 81 cadeiras da Casa — duas por estado e pelo Distrito Federal —, já que o mandato de senador é de oito anos e a renovação alterna, a cada quatro anos, entre um e dois terços das vagas.

A eleição ocorre em um cenário de baixa representação feminina no Senado e de crescimento das candidaturas de mulheres. Segundo levantamento da Agência Senado com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 69 mulheres registraram candidatura em 2026, aumento de 19% em relação a 2022.

Entre as candidatas estão nomes apoiados pelo presidente Lula em diferentes regiões do país. Elas chegam à reta final apresentando pautas relacionadas aos direitos das mulheres, políticas sociais, educação, meio ambiente, proteção de crianças e adolescentes e defesa das instituições democráticas.

A configuração da eleição cria uma circunstância particularmente relevante para a representação política feminina: cada eleitor terá direito a dois votos para o Senado, e os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos. Não há segundo turno para senador.

Marina e Tebet disputam em São Paulo

Em São Paulo, dois dos principais nomes femininos na disputa são Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas integrantes do governo Lula antes de entrarem na campanha eleitoral. As duas aparecem no grupo de candidatos competitivos nas pesquisas divulgadas nesta reta final.

Marina construiu sua trajetória política especialmente em torno da defesa do meio ambiente, da sustentabilidade e da proteção dos povos tradicionais. Ex-senadora pelo Acre, foi ministra do Meio Ambiente nos governos Lula e voltou ao comando da pasta a partir de 2023.

Simone Tebet, por sua vez, já exerceu mandato no Senado por Mato Grosso do Sul e comandou o Ministério do Planejamento e Orçamento no atual governo. Antes disso, foi prefeita de Três Lagoas, vice-governadora de Mato Grosso do Sul e deputada estadual. Sua candidatura em São Paulo marca uma nova etapa de sua trajetória política.

A disputa paulista permanece aberta. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou Marina, Simone Tebet, André do Prado e Guilherme Derrite tecnicamente empatados, dentro da margem de erro, pelas duas vagas do estado.

Mulheres também disputam no Distrito Federal e em Minas

No Distrito Federal, Erika Kokay e Leila do Vôlei estão entre as candidatas apoiadas por Lula. Ambas construíram trajetórias políticas ligadas a temas sociais. Erika tem atuação histórica na defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores, enquanto Leila, ex-atleta olímpica, levou para a política pautas relacionadas ao esporte e à proteção de crianças, adolescentes e mulheres.

Em Minas Gerais, Marília Campos e Áurea Carolina também disputam as duas vagas. Marília, com longa experiência na política municipal, tem colocado a defesa das cidades no centro de sua campanha.

“Se eu for eleita, serei porta-voz dos municípios no Senado Federal”, afirmou Marília ao apresentar uma das prioridades de sua candidatura.

Áurea Carolina construiu sua trajetória política a partir dos movimentos sociais e da defesa dos direitos das mulheres, da população negra e de grupos historicamente sub-representados nas instituições políticas.

Benedita leva trajetória histórica à disputa no Rio

No Rio de Janeiro, Benedita da Silva chega à eleição com uma das trajetórias mais extensas entre as candidatas ao Senado apoiadas por Lula.

Nascida e criada no Rio, Benedita foi vereadora, deputada federal constituinte, senadora, vice-governadora, governadora e ministra. Sua história política está associada principalmente às pautas de combate à desigualdade, direitos das mulheres, população negra e moradores das periferias.

Monica Benicio também está entre as mulheres que disputam uma cadeira pelo Rio de Janeiro, ampliando a presença feminina na corrida pelas duas vagas do estado.

Em sua passagem pelo Rio nesta reta final da campanha, Lula pediu votos para Benedita, inserindo a disputa pelo Senado na estratégia de formação de uma bancada aliada no Congresso.

Candidaturas femininas estão presentes em todo o país

A presença feminina na disputa não se limita ao Sudeste e ao Distrito Federal. Pela primeira vez neste ciclo eleitoral, há candidaturas de mulheres ao Senado em todas as unidades da Federação, segundo levantamento da Agência Senado.

Entre outros nomes estão Gleisi Hoffmann, no Paraná; Eliziane Gama, no Maranhão;  Manuela D’Ávila, no Rio Grande do Sul e Mara Rocha no Acre. As candidaturas representam diferentes trajetórias dentro do campo político que apoia Lula e disputam espaço em uma Casa que terá papel decisivo na próxima legislatura.

O Senado possui atribuições que vão muito além da aprovação de projetos de lei. Cabe exclusivamente aos senadores, por exemplo, analisar indicações presidenciais para ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, além de processar e julgar determinadas autoridades nos casos previstos pela Constituição.

Por isso, a renovação de dois terços da Casa tornou-se um dos elementos centrais das eleições de 2026.

Eleitor terá dois votos para senador

Na urna eletrônica, cada eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes ao Senado. A ordem em que os nomes forem digitados não altera o peso dos votos: ambos têm exatamente o mesmo valor.

Não é possível votar duas vezes no mesmo candidato. Caso o eleitor repita o mesmo nome, o segundo voto não será contabilizado para aquele candidato.

A votação deste domingo, portanto, não definirá apenas o próximo presidente, governadores e representantes nas assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados. Ela modificará profundamente a composição do Senado.

Com 54 cadeiras simultaneamente em disputa e um número maior de mulheres concorrendo em comparação com 2022, as urnas poderão produzir uma mudança relevante na presença feminina em uma das instituições mais importantes da República. Com informações do BR247

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