O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinou emendas que bancaram obras investigadas pelo Ministério Público Federal sob suspeita de desvios.
Em 2015, a Operação Desumanidade, do MPF, investigou desvios na construção de 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS), parte dos valores era proveniente de emendas de Motta.
Mãe de Hugo Motta chegou a ser presa
Em 2016, Ilanna Motta, mãe de Hugo Motta chegou a ser presa e a avó, Francisca Motta, que era prefeita do município de Patos, interior do estado dele, a Paraíba, foi afastada do cargo na Operação Veiculação da Polícia Federal, ambas acusadas de irregularidades em licitações e contratos públicos. Ilanna era chefe de gabinete da mãe prefeita.
A ligação familiar não para por aí. Ilanna, a mãe de Hugo Motta, filha de Chica Motta, prefeita de Patos (PB), é casada com Renê Trigueiro Maroca, prefeito de São José de Espinharas (PB), também acusado de participação no esquema junto com José William Madruga, ex-marido de uma das filha de Ilanna e prefeito de Emas (PB), enquanto que Rafael Guilherme, sócio da Empresa Emas Locações Ltda, também alvo da operação é genro de Renê Trigueiro. As fraudes envolvem mais de R$ 11 milhões em recursos aplicados em ações dos Programas de Transporte Escolar (PNATE), Fundeb, Pró-Jovem Trabalhador e Bloco de Média e Alta Complexidade (Saúde).
Orçamento Secreto
O Dono da empresa Soconstrói, José Aloysio Machado da Costa Júnior disse em depoimento gravado em vídeo que 20% dos valores desviados da construção das UBSs foram utilizados na campanha de Motta em 2014.
O acordo de delação de Costa Júnior foi enviado ao STF, mas nunca foi homologado. Com isso, Hugo Motta não foi formalmente investigado por causa dos relatos do empresário.
Anos depois, em setembro de 2024, nova obra custeada com emenda de Hugo Motta foi alvo de operação. Também nesse caso, Motta, até o momento, não é investigado.
Batizada de Operação Outline, a ação da Polícia Federal, MPF e Controladoria-Geral da União mirou obra de restauração da Alça Sudeste e da Avenida Manoel Mota, em Patos (PB), no valor de R$ 5 milhões.
O dinheiro que custeou a obra saiu de emenda de 2020 enviada por Motta por meio de emenda do relator, o chamado orçamento secreto.
É esse tipo de emenda que está no centro do embate entre STF e o Congresso que agora Hugo Motta tenta resolver como presidente da Câmara.
O caso depois foi arquivado pela Justiça, mas sem que o STF analisasse a delação feita com um dos empresários investigados.
Portanto, enquanto atua nos bastidores, o presidente da Câmara tem o histórico de emendas que bancaram obras problemáticas e que desaguaram na delação de um empresário contra ele – nunca homologada pelo STF.
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