A jornalista Vanessa Lippelt, editora do site Congresso em Foco fez uma matéria mostrando o crescimento e o funcionamento de escolas paramilitares para crianças e adolescentes no Brasil. A reportagem especial intitulada “Bolsonaristas usam escolas paramilitares para doutrinar crianças”, traça um paralelo entre esses cursos brasileiros e a doutrinação nazista, também presente na formação do Batalhão Azov que atua na Ucrânia.
Nesses cursos são aceitos alunos de 5 a 24 anos,. A reportagem cita pelo menos três cursos. Um deles, o Fope, está presente em mais de 120 cidades, com mais de 15 mil alunos formados.
O Doutor em Educação, mestre em Ciência Política e professor da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara disse que é assustador ver esse trabalho sobre crianças e adolescentes que estão sendo preparados para serem violentos.
“Eu achava que a gente já tinha chegado no ápice com as escolas cívico-militares, eu não imaginava que a gente ia adentrar o treinamento tradicionalista do padrão do Batalhão Azov”, diz Cara referindo-se ao batalhão ucraniano que começou como uma milícia voluntária ligada a ideologias de extrema-direita, arregimentou e doutrinou crianças e adolescentes através de acampamentos, e acabou integrado como parte formal da Guarda Nacional da Ucrânia.
“A pele do inimigo eu pus no mastro da bandeira, por isso sou chamado faca na caveira.”
Esse é um trecho de uma das 24 canções para treinamento físico militar (TFM) que soaria normal aos ouvidos de qualquer um se entoado por militares adultos. Mas a música em questão, que exalta a aniquilação do inimigo, consta da apostila do recruta pré-militar da Força Pré-Militar Brasileira que é fornecida para seus alunos de 6 a 24 anos.
Na Fope o uniforme de uso obrigatório é composto por boina, camiseta preta com a logo de uma caveira e calça camuflada.
Para Daniel Caras, esse é um processo de militarização estruturado da sociedade e que está pautada na ideia de aniquilação do inimigo. “A sociedade é perversa e eles estão militarizando crianças e adolescentes e o resultado vai ser qual? Qual é a cabeça militar? O outro é inimigo. O resultado vai ser um recrudescimento, uma prática de violência absoluta”.
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